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“Se eu agora parasse” de Vasco Gato

Abril 19, 2015 Deixe um comentário

“Se eu agora parasse” de Vasco Gato, poema publicado no seu perfil de Facebook a 18 de Abril de 2015

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Março 21, 2012 1 comentário

Quantas vezes ouvi o meu pai dizer:
não escolhas muito a roupa com que sais.
A bala que contorna a esquina
não se intimida com a beleza.

[Vasco Gato, de Scalinatella, in Napule, tea for one, 2011]
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Nenhum anjo…

Março 21, 2011 Deixe um comentário

Nenhum anjo, por mais desatinado, nos cobiçará. Esta cisterna humana engendrou doses sobrenaturais de tédio. Como se na agitação das matérias não houvesse alimento suficiente para o músculo da paixão. Isentos da plácida imortalidade dos anjos, despojamo-nos da fome dos sentidos. Vamo-nos deitando, lentos glaciares, numa desolação mais extrema que a ignorância da gravidade.

[Vasco Gato, Rusga, Trama, 2010]
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os livros não se constipam

Dezembro 4, 2010 Deixe um comentário

hoje, depois de, por necessidade, me ter deslocado a uma Baixa de Lisboa cheia de gente e carros, com anterior passagem por um Chiado com igual imagem, fui à São Filipe Nery, visitar a nova casa da Trama.

considero que aquele espaço reserva o essencial da livraria: as pessoas e os livros – por esta ordem, porque não há livros sem pessoas nem livrarias sem sorrisos.

entrei quando se conversava sobre o ainda hoje vanguardista Fernando Pessoa: voltamos sempre a ele, de alguma forma, pela tinta de alguém.

as pequenas prateleiras altas de um só livro exposto fizeram-me pensar: ainda bem que não se constipam. o Ricardo estava ali enregelado a conversar alegremente com uma rapariga… entrou uma outra e no fim puderam partilhar os três de um ponto comum: Nuno Bragança.

mas eu fui lá para ir buscar a última edição da livraria: “Rusga”, de Vasco Gato. (e trouxe mais “Entulho”, de João Miguel Henriques – a minha mania de querer saber que livro é aquele sem lombada.)

a Trama faz-me lembrar uma livraria de vão de escada, pela dimensão e estrutura, mas fria… muito fria. se calhar os vãos de escada são mesmo assim.

tenho para mim que nem sempre temos tudo, que temos tanto que não nos chega.

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Março 21, 2010 Deixe um comentário

Desertei das falanges do ouro
para vir visitar a tua sombra.
Movias-te como se jamais te prendesse
outra lealdade
que não a interrogação
de um cais. E, porém,
os teus olhos silenciosos,
somando as imagens.
Qual pano,
desce sobre a cidade o músculo
das coisas prementes.
Das safras de pólvora colhi a tua incerteza
de rapariga. Depois, perdi-te
entre os prodígios.

[Vasco Gato, in Cerco Voluntário]

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Janeiro 31, 2010 Deixe um comentário

Custa-nos respirar,
a paixão exige-nos que nos
abandonemos à ideia de uma asfixia:
eu sem ti não posso assinar
o tempo,
preciso dos teus
olhos
de cidade devassada.

[Vasco Gato, in Cerco Voluntário]

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para os tempos vindouros

Maio 26, 2009 Deixe um comentário
para os tempos vindouros

Antes da pandemia recolho material.

Nunca escrevi rigorosamente nada que tivesse valor.

A pandemia será para ler, se vivo.

A minha herança serão os poucos livros recolhidos, se morto.

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