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Posts Tagged ‘samuel beckett’

Conheci um louco que julgava que o fim do mundo tinha chegado.

Outubro 25, 2009 Deixe um comentário

Hamm

Conheci um louco que julgava que o fim do mundo tinha chegado. Ele pintava. Eu estimava-o. Ia vê-lo ao manicómio. Pegava-lhe na mão e arrastava-o até à janela. Olha!… Aí! Todo esse trigo que se levanta! E ali! Olha!… As velas dos navios! Toda esta beleza! Tudo! (Pausa). Desprendia-se da minha mão e voltava para o seu canto, horrorizado. Apenas tinha visto cinzas| (Pausa). Só ele foi socorrido. (Pausa). Esquecido. (Pausa). Parece que estes casos são… quero dizer… não são tão… tão raros…

[Samuel Beckett, de Fim de Festa, in Teatro de…, trad. F. Curado Ribeiro]

Afirmo a palavra. A palavra afirma-se. O acto é a palavra várias vezes dita. Afirmo. Respiro.

Abril 27, 2009 Deixe um comentário
Afirmo a palavra. A palavra afirma-se. O acto é a palavra várias vezes dita. Afirmo. Respiro.

Acabei a leitura de How It Was – procurar post antigo. Um homem, ali descrito, é Samuel, Sam, S.. Notei, no texto, a intensa procura da autora por uma força de sustento para a sua memória do homem. Ter estado tão perto de alguém assim deve ser muito rico, forte, insustentável.

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lá fora anoitece

Abril 17, 2009 Deixe um comentário

estou sentado a uma das secretárias da minha vida. vejo daqui a imagem do jardim. ouço Alice de Bernardo Sassetti, depois de ter estado sentado no sofá, em frente a esta secretária, ouvindo José Peixoto e Chico Buarque.

enquanto sentado no sofá, estive lendo How It Was, de Anne Atik, sobre a vida comum desta e seu marido Avigdor Arikha com Samuel Beckett. leitura que vem de outros dias e prosseguirá por outros dias, apesar de ser um livro pequeno.

Samuel Beckett teria feito 103 anos no passado dia 13 de Abril. celebro, entusias-pasmado, esse momento, muitos dias da minha vida presente.

na lama na escuridão o rosto na lama as mãos não importa como algo aqui não corre bem a corda na mão todo o corpo não importa como é em breve como se ali naquele lugar apenas eu tivesse vivido sim vivido sempre

excerto retirado do livro “Como É”
trad. Maria do Carmo Abreu
Editora Ulisseia – 1969
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