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“o poema é uma casa” de Rui Pires Cabral

Abril 17, 2015 Deixe um comentário

“o poema é uma casa” de Rui Pires Cabral, in Voo Rasante, ed. Mariposa Azual, 2015

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Categorias:livros, poesia Etiquetas:,

«Não tenhas confiança na tua juventude.»*

Março 21, 2011 Deixe um comentário

para o Manuel de Freitas

Noites de tabaco com resina
de Marrocos, pequenos quartos

onde a música era enorme.
As ruas pulsavam, eram coisas

mortais, o pensamento um carrossel
de monstros vivos. E nós os únicos,

os mais sós, os mais relapsos
no caminho que descia do devaneio

à angústia. Esquecidos das horas
num qualquer degrau perdido,

o futuro era aterrados: it will end
in tears
. E tudo o que sabíamos

estava errado, menos isso.

[Rui Pires Cabral, in 38º, Língua Morta, 2010 (2ª ed.) ]

*Dostoievski, A Voz Subterrânea [tradução de Célia Henriques e Vítor Silva Tavares], &etc, Lisboa, 1989, p. 108.

«Mas uma sombra, o que é uma sombra?»*

Março 21, 2010 Deixe um comentário

A meio de Março a noite começa
e a minha presença é desnecessária.
Na casa em desordem o erro é o mesmo,
nem sei porque insista: mas posso escolher?
As linhas que traço são vozes avulsas
que o remorso alcança, ondas hertzianas
de um canal exausto, frases que apareciam
escritas nas paredes da calle del Ángel
onde fui tão novo. Por toda a cidade te ouvia
dizer na minha cabeça: me enfada la gente, só
porque soy libre. Sombras e fantasmas,
coisas que não chegam a durar um verão
e falam connosco o resto da vida.

*João Miguel Fernandes Jorge, Um Quarto Cheio de Espelhos, Quetzal, Lisboa, p. 61.

[Rui Pires Cabral, in Oráculos de Cabeceira]

canções usadas

Fevereiro 1, 2010 Deixe um comentário

Corredores

Março 21, 2009 Deixe um comentário

Agora dormes e acordas
cada vez mais longe. Não sei porquê.
Julgo que tens sido fiel a uma certa noção
de sofrimento. Os teus dias já nascem obrigados
à noite que fundaste, são os corredores
de uma misteriosa predestinação. Mas

e se o tempo fosse um erro teu, um erro
de percepção? Anda daí. Estas avenidas
não têm verdadeiramente outro propósito,
foram escritas por capricho no grande livro
de Deus. Haverá outras oportunidades
para a descrença, outras violências. entretanto,
devolve-me o favor das tuas mãos e permite
que caminhemos juntos outra vez.
Ao sol, ao sol.

[Rui Pires Cabral, de Praças, in Praças e Quintais]

de que serviria

Janeiro 21, 2009 Deixe um comentário

Aquilo que somos não é aparente,
não podemos explicar o sofrimento de onde procede
este amor. Mas eu não vim para te dizer como as sombras
mistificam o mundo, oh não me perguntes
nada. Tu já és a causa por trás da máquina
dos dias, se eu for por essa terra fora,
será para chamar por ti.

[Rui Pires Cabral, in hífen 10 – Cadernos de Poesia – anos noventa (alguns poetas)]

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