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o poder e a utilização da palavra num universo padronizado de idiotas

Junho 14, 2010 Deixe um comentário

Jorge Reis-Sá mantém-se em cima da linha de água.

Sendo eu uma pessoa pouco informada, há quem me mantenha ocorrente das bestiarias de outros. Assim, após um telefonema emocionado pelo choque, recebi, confortavelmente, na minha caixa de correio electrónico, o artigo de opinião (?) de Jorge Reis-Sá publicado na revista Ler de Junho.

Como pessoa não informada, procuro manter-me arredado das revistas e outros objectos com informação mais imediatista. Por esta razão, desconheço a linha editorial da revista, se é que tem alguma… afinal, pode apenas ser uma amálga de textos escritos por doutos senhores como o ex-editor já nomeado duas vezes nesta posta.

Se é certo que a edição de artigos de opinião pode ser discutível, não podemos deixar de discutir o todo que é uma revista mensal com a importância da Ler.

A revista Ler tem um blogue mas a revista não é um blogue e, pensei eu, estaria longe de blagues.

O artigo de opinião de Jorge Reis-Sá, actual colaborador de Paulo Teixeira Pinto, na Babel, é uma blague… Se for outra coisa, deve sê-lo por engano… Ou, no limite, um inocente e infantil queixume: “mamã, aqueles meninos não gostam de mim.”

De fraco gosto lírico e sem tendência romântica, contrariando o olho sempre choroso de Jorge “Espanca” Reis-Sá, a bílis do dito deve ter sido descarregada com força, impelindo-o para uma sátira e ironia sem qualquer mestria… nem licenciatura à bolonhesa.

Triste escrito. Publicado na Ler… porquê Porque o senhor tem umas ideias? Penso que ele tem muitas e a grande maioria é péssima.

Parte do texto de Manuel de Freitas, publicado no livro homenagem a Luiz Pacheco e à Contraponto (D. Quixote – Biblioteca Nacional), é justo e moldado à imagem do Jorginho e pares deste…

Jorge Reis-Sá não tem estofo nem bagagem para escrever textos onde a sua pessoa é a personagem principal, sofrida e vivida.

Como escreveu Paulo da Costa Domingos a respeito do Jorge Reis-Sá, este é o Abespinhado.

Resumindo e Concluindo

por Jorge Reis-Sá

Num dos filmes mais interessantes dos últimos anos, muito próximo do cinema de Andrei Tarkovski e Nikolayevich Sokurov, Robert Zemeckis (como sabemos, outro cineasta da escola russa) coloca o personagem de Tom Hanks (um grande actor, infelizmente algo desconhecido do grande público) a meditar longamente sobre a questão do Tempo. Que, numa epifania, diz: «O Tempo é o que nos rege – tick-tack, lukovich, tick-tack.» Eu acho que esta epifania está completamente errada: o que nos rege é a sorte ou, nos piores casos, a falta dela.
Tome-se como exemplo o livro Resumo – A Poesia em 2009, editado pela Assíro & Alvim em parceria com a Fnac há poucos meses. Entre várias sortes, alguns azares: do livro, sim; mas mais importante – meus. Que o livro tenha as suas sortes e os seus azares, é lá com ele. Agora que eu tenha azar com um livro meu e consequentemente com este, é uma questão que me afecta directamente.
Comecemos pelo livro. A sorte é a ideia: brilhante. E sabem-se os nomes de quem a teve: Manuel Rosa (editor da Assírio) e Jorge Guerra e Paz (director da Fnac). Parabéns aos dois, nota-se que as reconhecidas qualidades editoriais e livreiras das respectivas empresas têm um dedo vosso. O azar é alguma da concepção editorial: ou pelo menos o que fizeram outros com ela.
A ideia é um achado: fazer um livro que reúna o que de melhor da poesia portuguesa se editou no ano transacto em Portugal. Depois disso, conceptualize-se, convidando quatro pessoas para antologiar a obra, o que lhe permitirá uma polifonia que só acrescenta. (A isto some-e o facto de o livro custar 4 euros e temos a cereja no cimo do bolo.) Mas seguir o conceito descamba. A culpa não é dos ideólogos, convenhamos que não estavam à espera de apenas dois antologiadores quando convidaram quatro. E isso, além de as leituras do anos de 2009 tenderem para um lado (porque um dos antologiadores – José Alberto Oliveira / Luís Miguel Queirós / Manuel de Freitas – tem três vezes o espaço do outro – José Tolentino Mendonça), retira a polifonia quadrilátera que esperávamos. Explico: dos 35 poetas escolhidos, «somatório de preferências de quatro leitores», nove são escolhidos em exclusivo por José Tolentino Mendonça. Isto em estatística deve querer dizer alguma coisa, eu é que não sei o que é.
Somado a isso, outro facto (e aqui os conceptualizadores tiveram a tal falta de sorte): o início do século XXI é confundido por muitos dos antologiadores pelo do século XX, altura em que a edição de poesia se fazia quase maioritariamente em revistas. Dos 35 poetas, oito são retirados de revistas. Ou a edição portuguesa de poesia é mesmo muito má, ou então a maior parte dos antologiadores (e os oito não são da responsabilidade exclusiva de Tolentino, para que não haja confusões) ainda anda a tentar consolidar a República em vez de celebrar o seu centenário… Para além de que, sendo este resumo «a que desejavelmente se dará seguimento nos próximos anos» dos «melhores poemas publicados em Portugal no ano de 2009» (nada a opor, acho muito bem que se assumam juízos de valor), quero ver como vão resolver a questão quando um desses oito autores editar o seu livro de estreia em 2010…
Mas vamos ao que verdadeiramente me interessa: o meu azar. Eu editei um livro em 2009. Chama-se Teoria dos Conjuntos e tem dos melhores poemas publicados em 2009. Quando não me vi representado, percebi que o facto de ter tirado apenas 117 exemplares da minha edição de autor e de os ter oferecido quase exclusivamente a amigos (há um à venda na Poesia Incompleta, confesso) impediria a sua justa divulgação, o que não permitiria que os antologiadores tivessem lido os meus brilhantes poemas. Só que depois reparei que o Rui Pires Cabral e o Vasco Graça Moura também fizeram o mesmo com o A Pocket Guide to Birds e o Caderno da Casa das Nuvens, respectivamente, não é por isso que deixam de lá ter versos desses livros. Percebi, então, que foi azar: o de não ter enviado a nenhum dos quatro antologiadores o livro, tão-só.
Ou então até lhes chegou às mãos e lá acharam que não eram dos melhores. Concedo, embora o não aceite, claro. Termino citando outro grande nome, desta vez da literatura portuguesa contemporânea: Cristiana Rodrigues, copy writer da agência Publicis, responsável pela campanha de publicidade do leite Matinal: «Se eu não gostar de mim, quem gostará?»

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haja acervo

Janeiro 30, 2009 1 comentário
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