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Posts Tagged ‘luís miguel nava’

Cegueira

Março 21, 2011 Deixe um comentário

Um traço agudo e anónimo, apesar
de nela o coração fazer publicidade,
não dá
da pele a exacta dimensão.

Qualquer de nós o sabe, ao exibirmos
as correias que prendem ao destino o coração
sentimos
a pele perder-se entre a cegueira dos tecidos.

[Luís Miguel Nava, Amor Luxúria e Morte, Mirto, 1987]

poemas com cinema

Novembro 19, 2010 Deixe um comentário

uma das próximas edições da Assírio e Alvim é a antologia “poemas com cinema” (brochado/ 208 pp/ €14).

«Sendo as relações da poesia com o cinema menos evidentes do que aquelas que aproximam a narrativa literária da narrativa cinematográfica, e também menos estudadas, talvez esta antologia possa contribuir para dar maior visibilidade a um diálogo certamente muito mais profícuo do que à primeira vista pode parecer. A poesia moderna e contemporânea tem sido, embora no terreno que lhe é próprio, uma arte da imagem e da montagem — ou então uma arte que, apesar de dominantemente lírica, não exclui a narratividade. Mesmo se a palavraimagem traduz universos conceptuais e técnicos diferentes em cada uma das duas artes, mesmo se a sintaxe entre as imagens se faz de forma diferente, mesmo se é diferente o modo de narrar ou de articular expressão e imagem — e não sendo da mesma ordem a visualidade que o cinema e a poesia podem proporcionar —, o fascínio pela imagem, a importância atribuída à relação entre as imagens e ao seu poder evocativo justificam a cumplicidade tantas vezes evidenciada nos poemas agora reunidos. Por outro lado, importará observar que, mesmo quando a poesia não se aproxima do cinema em função da imagem e da montagem, pode ainda procurá-lo por razões de ordem temática, ou porque a narrativa fílmica lhe abre novos caminhos no que respeita ao cruzamento entre lirismo e narratividade.»

Org. Joana Matos Frias, Luís Miguel Queirós e Rosa Maria Martelo

Os autores presentes são:

Herberto Helder
Edmundo de Bettencourt
António Franco Alexandre
Ana Hatherly
Mário Cesariny
Fernando Assis Pacheco
Armando Silva Carvalho
Alberto Pimenta
José Mário Silva
Gastão Cruz
Alexandre Pinheiro Torres
Pedro Mexia
José Miguel Silva
António Botto
Jorge de Sena
Pedro Tamen
Alexandre O’Neill
Eugénio de Andrade
João José Cochofel
Luís Quintais
Manuel de Freitas
Inês Lourenço
Ruy Belo
Jorge Sousa Braga
José Alberto Oliveira
Ruy Cinatti
Fátima Maldonado
Raul de Carvalho
José Miguel Silva
José Tolentino Mendonça
João Lopes
Carlos de Oliveira
José Gomes Ferreira
Alexandre Pinheiro Torres
Maria Andresen
Fernando Pinto do Amaral
Gil de Carvalho
Manuel António Pina
Luís Quintais
Adília Lopes
Fernando Guerreiro
Helder Moura Pereira
Ana Paula Inácio
Fiama Hasse Pais Brandão
Daniel Jonas
Luiza Neto Jorge
Luís Miguel Nava
Al Berto
Rui Lage
António Osório
António José Forte
Nuno Júdice
Vasco Graça Moura
Ana Luísa Amaral
Miguel-Manso
Manuel Gusmão

Talvez a melhor justificação para esta antologia esteja no modo como os poemas agora reunidos ilustram diferentes formas de diálogo da poesia portuguesa dos séculos XX e XXI com o cinema. A amplitude docorpus poético aqui apresentado e a diversidade das poéticas nele envolvidas comprovam que o cinema tem merecido uma atenção continuada por parte dos poetas portugueses. Foi a esta cumplicidade que procurámos dar relevo.

na pele

Março 21, 2009 Deixe um comentário

O mar, venho ver-lhe a pele a rebentar
ao longo das falésias, o que sempre
me traz a exaltação desses rapazes que circulam
por Lisboa no verão.
O mar estás-lhes na pele. Partilho
com eles os quartos das pensões, sentindo as ondas
a avançar entre os lençois. Perco-me à vista
da pedra onde o mar vem largar a pele.

[Luís Miguel Nava, in Como Alguém Disse]

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