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mais um dia novo para Reis-Sá

Novembro 12, 2010 5 comentários

acordo para o lado livre do cérebro com uma notícia sobre Reis-Sá. já com prazo inválido. parece que no seu mais recente memorando para a PNet acusa os jornais de fazerem críticas escoláticas sobre livros. realiza esta acusação dando como exemplo uma edição da Atual (caderno de cultura do semanário Expresso), em que sem contexto se destrói o recordista de vendas, um dos livros do jornalista-professor-doutor-escritor-pai José Rodrigues dos Santos, ao mesmo tempo que se exulta academicamente um livro de Rosa Maria Martelo, que teve uma edição de 300 exemplares.
escreve o marido-pai-versejador-editor Reis-Sá que o lugar da crítica são as faculdades e a academia, que aos jornais cabe a divulgação. deduzo, então, que o exemplo do professor-doutor-surfista-nadador-salvador-comentador-político Marcelo Rebelo de Sousa seja para ser disseminado e colonizador de todos os lugares em que se fala de livros: façam-se listas.
o serviço público, a educação do gosto ou tão só a liberdade de escolha sobre o que se escreve podem, claro, ser discutidas, mas a vontade da sua castração evidencia o sentido ditatorial do Jorge.

update: o texto do nome citado surge aqui.

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Eugénio de Andrade e… um grão de pó de Reis-Sá

Junho 14, 2010 Deixe um comentário

Ele há criaturas de Deus (pois assim se auto-denominam com os seus credos), que enfim… despontam a cada momento no inferno que os outros são (Sartre).

Registe-se a seguinte notícia com origem aqui.

Sublinho eu, no artigo, o legado de Jorge Reis-Sá.

Poeta esquecido e encaixotado

por JOANA EMÍDIO MARQUES (13/06/2010)

Cinco anos depois da morte, Eugénio de Andrade está no centro de uma disputa entre a Fundação e os herdeiros.

Foi numa manhã de Junho, faz hoje cinco anos, que o poeta Eugénio de Andrade abandonou a vida, que não se cansou de exaltar. Numa espécie de ímpeto visionário o próprio escreveu num poema:”Pela manhã de Junho é que eu iria/ pela última vez.” Se há cinco anos se extinguia o corpo do poeta, hoje é a Fundação que criou que está à beira da extinção e a obra “à beira do esquecimento”, na opiniãode José Cruz Santos, o mais antigo editor de Eugénio.

O artista, que segundo o escritor Mário Claudio “era uma pessoa complexa mas generosa”, criou, anos antes da sua morte, a Fundação Eugénio de Andrade, para garantir “uma gestão organizada da sua obra e dos seus pertences”, explica fonte próxima da Fundação. “Mas também para garantir que Miguel Moura, seu afilhado e os pais, tivessem uma casa onde viver”, contrapõe, José Cruz Santos.

É essa casa que alberga traços da vida do poeta, manuscritos, obras de arte, fotografias, que alberga também os seus entes queridos, que agora se tornou o centro de uma violenta polémica, que opõe o herdeiro e um conjunto de amigos de Eugénio de Andrade à direcção da Fundação. Numa espiral em que se arrastam desencontros, acusações mútuas e falta de dinheiro, o conselho directivo da instituição pediu, em Janeiro, a extinção da fundação ao Ministério da Administração Interna.

Segundo informações obtidas junto da direcção da Fundação, um dos motivos que estão na origem deste pedido é a falta de subsídios, uma vez que, desde 2004, o único financiamento da instituição provém da Direcção-Geral das Bibliotecas. O outro motivo foi a acção judicial que o herdeiro de Eugénio de Andrade (pai de Miguel Moura) moveu contra a fundação, no sentido de impedir a terceira edição do volume Poesia, que reúne toda a obra poética do autor.

Ana Maria Moura, mãe do afilhado de Andrade, acusa a direcção da instituição de “não estar a fazer nada pela divulgação da obra do artista, de ter tudo amontoado em caixotes e de não ter pedido ajuda dos amigos para resolver a questão da falta de dinheiro”.

E se Mário Cláudio acusa alguém de querer ter a “exclusividade sobre Eugénio de Andrade”, a Fundaçãoconsidera que há “quem veja na obra e no espólio do poeta uma mina de ouro”.

Embora Arnaldo Saraiva, presidente do conselho directivo da instituição, se tenha escusado a falar, o DN apurou que o espólio do artista “está a ser catalogado” e que a obra não está no mercado devido à falência das distribuidoras, uma delas a Quasi, que ficou a “dever muito dinheiro à Fundação”.

A extinção da Fundação parece ser o único ponto consensual para todos. “É do agrado da Câmara Municipal do Porto”, afirma Mário Cláudio, que considera ainda que “se vão abrir novos horizontes para a divulgação da obra do poeta, que nunca devia ter deixado de pertencer à Inova, de José Cruz Santos”. A posição da administração da Fundação é a de que “o espólio é da cidade do Porto e deve ser administrado pela autarquia”.

O poeta que cantou a beleza solar da natureza e o amor está agora refém de uma sombria polémica, que, nas palavras de Mário Cláudio, se explica”pela superficialidade com que em Portugal se tratam os artistas quando estes morrem”.

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o poder e a utilização da palavra num universo padronizado de idiotas

Junho 14, 2010 Deixe um comentário

Jorge Reis-Sá mantém-se em cima da linha de água.

Sendo eu uma pessoa pouco informada, há quem me mantenha ocorrente das bestiarias de outros. Assim, após um telefonema emocionado pelo choque, recebi, confortavelmente, na minha caixa de correio electrónico, o artigo de opinião (?) de Jorge Reis-Sá publicado na revista Ler de Junho.

Como pessoa não informada, procuro manter-me arredado das revistas e outros objectos com informação mais imediatista. Por esta razão, desconheço a linha editorial da revista, se é que tem alguma… afinal, pode apenas ser uma amálga de textos escritos por doutos senhores como o ex-editor já nomeado duas vezes nesta posta.

Se é certo que a edição de artigos de opinião pode ser discutível, não podemos deixar de discutir o todo que é uma revista mensal com a importância da Ler.

A revista Ler tem um blogue mas a revista não é um blogue e, pensei eu, estaria longe de blagues.

O artigo de opinião de Jorge Reis-Sá, actual colaborador de Paulo Teixeira Pinto, na Babel, é uma blague… Se for outra coisa, deve sê-lo por engano… Ou, no limite, um inocente e infantil queixume: “mamã, aqueles meninos não gostam de mim.”

De fraco gosto lírico e sem tendência romântica, contrariando o olho sempre choroso de Jorge “Espanca” Reis-Sá, a bílis do dito deve ter sido descarregada com força, impelindo-o para uma sátira e ironia sem qualquer mestria… nem licenciatura à bolonhesa.

Triste escrito. Publicado na Ler… porquê Porque o senhor tem umas ideias? Penso que ele tem muitas e a grande maioria é péssima.

Parte do texto de Manuel de Freitas, publicado no livro homenagem a Luiz Pacheco e à Contraponto (D. Quixote – Biblioteca Nacional), é justo e moldado à imagem do Jorginho e pares deste…

Jorge Reis-Sá não tem estofo nem bagagem para escrever textos onde a sua pessoa é a personagem principal, sofrida e vivida.

Como escreveu Paulo da Costa Domingos a respeito do Jorge Reis-Sá, este é o Abespinhado.

Resumindo e Concluindo

por Jorge Reis-Sá

Num dos filmes mais interessantes dos últimos anos, muito próximo do cinema de Andrei Tarkovski e Nikolayevich Sokurov, Robert Zemeckis (como sabemos, outro cineasta da escola russa) coloca o personagem de Tom Hanks (um grande actor, infelizmente algo desconhecido do grande público) a meditar longamente sobre a questão do Tempo. Que, numa epifania, diz: «O Tempo é o que nos rege – tick-tack, lukovich, tick-tack.» Eu acho que esta epifania está completamente errada: o que nos rege é a sorte ou, nos piores casos, a falta dela.
Tome-se como exemplo o livro Resumo – A Poesia em 2009, editado pela Assíro & Alvim em parceria com a Fnac há poucos meses. Entre várias sortes, alguns azares: do livro, sim; mas mais importante – meus. Que o livro tenha as suas sortes e os seus azares, é lá com ele. Agora que eu tenha azar com um livro meu e consequentemente com este, é uma questão que me afecta directamente.
Comecemos pelo livro. A sorte é a ideia: brilhante. E sabem-se os nomes de quem a teve: Manuel Rosa (editor da Assírio) e Jorge Guerra e Paz (director da Fnac). Parabéns aos dois, nota-se que as reconhecidas qualidades editoriais e livreiras das respectivas empresas têm um dedo vosso. O azar é alguma da concepção editorial: ou pelo menos o que fizeram outros com ela.
A ideia é um achado: fazer um livro que reúna o que de melhor da poesia portuguesa se editou no ano transacto em Portugal. Depois disso, conceptualize-se, convidando quatro pessoas para antologiar a obra, o que lhe permitirá uma polifonia que só acrescenta. (A isto some-e o facto de o livro custar 4 euros e temos a cereja no cimo do bolo.) Mas seguir o conceito descamba. A culpa não é dos ideólogos, convenhamos que não estavam à espera de apenas dois antologiadores quando convidaram quatro. E isso, além de as leituras do anos de 2009 tenderem para um lado (porque um dos antologiadores – José Alberto Oliveira / Luís Miguel Queirós / Manuel de Freitas – tem três vezes o espaço do outro – José Tolentino Mendonça), retira a polifonia quadrilátera que esperávamos. Explico: dos 35 poetas escolhidos, «somatório de preferências de quatro leitores», nove são escolhidos em exclusivo por José Tolentino Mendonça. Isto em estatística deve querer dizer alguma coisa, eu é que não sei o que é.
Somado a isso, outro facto (e aqui os conceptualizadores tiveram a tal falta de sorte): o início do século XXI é confundido por muitos dos antologiadores pelo do século XX, altura em que a edição de poesia se fazia quase maioritariamente em revistas. Dos 35 poetas, oito são retirados de revistas. Ou a edição portuguesa de poesia é mesmo muito má, ou então a maior parte dos antologiadores (e os oito não são da responsabilidade exclusiva de Tolentino, para que não haja confusões) ainda anda a tentar consolidar a República em vez de celebrar o seu centenário… Para além de que, sendo este resumo «a que desejavelmente se dará seguimento nos próximos anos» dos «melhores poemas publicados em Portugal no ano de 2009» (nada a opor, acho muito bem que se assumam juízos de valor), quero ver como vão resolver a questão quando um desses oito autores editar o seu livro de estreia em 2010…
Mas vamos ao que verdadeiramente me interessa: o meu azar. Eu editei um livro em 2009. Chama-se Teoria dos Conjuntos e tem dos melhores poemas publicados em 2009. Quando não me vi representado, percebi que o facto de ter tirado apenas 117 exemplares da minha edição de autor e de os ter oferecido quase exclusivamente a amigos (há um à venda na Poesia Incompleta, confesso) impediria a sua justa divulgação, o que não permitiria que os antologiadores tivessem lido os meus brilhantes poemas. Só que depois reparei que o Rui Pires Cabral e o Vasco Graça Moura também fizeram o mesmo com o A Pocket Guide to Birds e o Caderno da Casa das Nuvens, respectivamente, não é por isso que deixam de lá ter versos desses livros. Percebi, então, que foi azar: o de não ter enviado a nenhum dos quatro antologiadores o livro, tão-só.
Ou então até lhes chegou às mãos e lá acharam que não eram dos melhores. Concedo, embora o não aceite, claro. Termino citando outro grande nome, desta vez da literatura portuguesa contemporânea: Cristiana Rodrigues, copy writer da agência Publicis, responsável pela campanha de publicidade do leite Matinal: «Se eu não gostar de mim, quem gostará?»

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o que sobra de Reis-Sá…

Março 23, 2010 Deixe um comentário

As referências a Jorge Reis-Sá continuam… sobretudo, e cada vez mais, as más.

O Livro dos Regressos [junto com] Al Berto na Casa Fernando Pessoa

AL BERTO

Lisboa, 1989 e 1997
frenesi [livro] / Movieplay [compact digital audio]
1.ª edição (ambos)
[19 cm x 13 cm] + [12,5 cm x 14,2 cm]
32 págs. + 28m : 50s
livro: capa de Helder Lage (foto); vinheta sobre fóssil de hipocampo e layout de pcd
disco: capa de Luísa Ferreira (foto); desdobrável desenhado por vpcd.sign
tiragem [declarada no livro] de 500 exemplares, sendo a do disco tiragem única
caderno com 2 pontos de arame, com o corte pintado da mesma cor da cartolina da capa
exemplares novos
150,00 eur

Foi o livro de regresso do Autor à poesia após a publicação da prosa Lunário, e de regresso temático à infância, aonde na infância o rebelde viria a nidificar. E é de um género poético contido, menos comum no decurso da sua obra, que sempre sem excepção fez a prova da leitura frente a um público. Al Berto veio a falecer prematuramente em 1997, pelo que a edição da sua voz em disco constituiu, por parte dos amigos mais próximos, uma merecida homenagem e o reparar de uma falta – por tratar-se de um escritor de certo modo na linhagem dos primevos bardos.
Posteriormente, o núcleo de poemas lidos pelo Autor na gravação, que constitui uma antologia pessoal e que se encontra transcrito na íntegra no desdobrável que acompanha o disco, foi copiado para livro e comercializado por um editor oportunista.

pedidos para:
frenesilivros@yahoo.com
telemóvel: 919 746 089
Publicada por PCD em 20:14

Livre Arbítrio

Maio 22, 2009 Deixe um comentário

Notei, hão alguns dias, mais uma discussão pública entre o grupo do Freitas (Averno) e o das Quasi (Reis-Sá & Melícias).

Partindo da publicidade errónea de que Tiago Araújo publicou agora o seu primeiro livro (Livre Arbítrio, Averno), surge a correcção de Reis-Sá, informando de que se trata afinal do seu terceiro livro, os dois anteriores surgiram nas Quasi.

Melícias insurge-se, no blog de Mário Silva, contra a crítica de Guerreiro na Actual, que insiste na publicidade do facto errado. Mas Melícias não se fica por aí, retomando(?) a polémica iniciada hão 4 ou 5 anos, entre os dois grupos de amigos mais visíveis, no meio da nova poesia portuguesa. Melícias está ofendido, não só pelo facto da insistência em publicitar um erro que a história desmente, como pela Actual estar, assim julga, predominantemente afecta ao grupo de Freitas e, por isso, tantas vezes parcial na escolha dos livros que mostra como no conteúdo da artigalhada.

Penso que estas rixas são coisa boa, tentam demonstrar uma vitalidade do debate de ideias, que, temo, não existe de verdade. O que parece existir é apenas um reflectir sobre os eventos de forma a prejudicar a imagem em outro, mas sem análise de conteúdo estético da literatura divulgada pelas partes.

Qual a razão que leva a Averno a publicar um autor sem impacto no meio, que antes era das Quasi? O que marca agora a escrita desse autor? Ou é apenas uma situação fruto das circunstâncias e do tempo? Estará a Averno a mudar?

E o autor, que tem a dizer? Será que renunciou os livros publicados nas Quasi?

Nomes próprios: Manuel, Jorge, António, José.

Nota final: mais se poderia escrever.

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