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Posts Tagged ‘carrie hanson’

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Novembro 22, 2010 Deixe um comentário

Às 10 tomas um banho
por vezes fazes-me esperar.
As paredes côr de pêssego do quarto
assemelham-se à tua pele.

Agarras numa toalha
atira-la sobre a cama
despes-te
prendes o cabelo
sentas-te frente ao espelho
para desapertar o soutien
vais para a casa de banho.

O chão está molhado
abro uma cerveja
recosto-me.

Embrulhada numa toalha
tiras as cuecas
da gaveta
espalhas creme na pele
uma perna em cima da cama
uma gota de perfume
vais até à janela
endireitas as cortinas.
O último bafo no meu cigarro
chama-te a atenção.

[Carrie Hanson, bang, Spout, 1997, versão minha]
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O que trabalha a pedra aprende a sonhar

Novembro 21, 2010 Deixe um comentário

Os teus caracóis
como dedos roliços
nunca os penteias.
O teu olhar profundo
demasiado profundo para mim
queres-me
a observar
a tua dedicação ao pormenor
como captas as pregas
nos tecidos, as rugas
os rostos
corpos inteiros esculpidos de relance.

Preciso de ti, a tua respiração fria
toca-me e
se eu não fosse pedra
ter-me-ias transformado nela.

[Carrie Hanson, bang, Spout, 1997, versão minha]
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passo dois três, um dois três

Novembro 20, 2010 Deixe um comentário

Ela já sabia
como lhe agradar
ela dançou
ele observou
mulheres
com ancas
mamas nuas com óleo
e lábios vermelho-vivo.

Ela sabia que a Mãe
não sabia
o segredo
então disse-lhe,
se moveres
a peida
assim,
o Papá não irá
esbofetear-te
nunca mais.

[Carrie Hanson, bang, Spout, 1997, versão minha]
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não denunciado

Novembro 18, 2010 Deixe um comentário

Estavas a dormir quando cheguei a casa
depois da noite de raparigas.
Fiquei à porta do nosso quarto
a ouvir.

Pus a água a correr para o banho
despi as minhas roupas
enfiei-as num saco preto
pronto a arder.
Esfreguei a minha pele
pensei em rapar os pêlos púbicos,
ainda o consigo cheirar.
Se fechar os olhos
sinto a mão dele na cara.
Ele não consegue ver quem sou
não posso dizer não.
Ele não tentou beijar-me
os meus lábios estão limpos.

Ao pequeno-almoço perguntas-me
se tive uma noite boa.
Foi fixe respondo
a Jan enfrascou-se outra vez.

[Carrie Hanson, bang, Spout, 1997, tradução minha]
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