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Posts Tagged ‘al berto’

a 20 de Setembro de 1994

Setembro 20, 2014 1 comentário

Al Berto conhece Bernardo Sassetti

 

[Al Berto, in Diários, p.452, Assírio & Alvim, 2012]
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em memória de Al Berto, no dia da sua morte

Junho 13, 2013 Deixe um comentário

– Vi a noite chegar e envolver os cedros do jardim. Aix debaixo da chuva. Os pinhais enegrecidos, ao longe. A alma de Cézanne tem a forma de uma maçã e desata a cintilar, a levitar. O vento, ouve-se o vento bater com força nas portadas da janela.

[Al Berto, 2012, “Livro de Assentos, 1996”, in Diários, Assírio & Alvim]
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21 de março (1984)

Março 21, 2011 Deixe um comentário

     como odeio os dias! se ao menos houvesse um recanto em mim onde pudesse esconder-me do mundo… se ao menos pudesse gritar.
     terra pesada sobre o peito. pássaro com cabeça de insecto sobrevoa a casa. pesadelos? visões?
     um fruto de néon semelhante a uma laranja embate contra o armário. o armário chora. levanto-me e abro-lhe as portas envidraçadas. um rio de rostos escorre dele. outro pássaro com uma asa branca e a outra azul, o bico em forma de lâmpada. o rosto de j. surge do pólen solidificado nos dedos duma mão líquida. erva corrói a cal junto à mesa. o rosto de j. avança para mim, esvai-se. acordo.
     uma dor inexplicável expande-se no peito. respiro fundo. são dez da manhã. levanto-me vagarosamente. um zumbido atordoa-me, caminho hesitante para o duche.
     fumo um cigarro. acabei de acordar. ouço o mar, quero a eternidade.
     vou tentar um olhar novo sobre as coisas que partilham a vida comigo. tenho a cara inchada pela turbulência dos sonhos. vou tentar, apesar de tudo, dar uns passos com a cabeça erguida, sem rancor, sem ódio, assim… caminhar como se voasse.

[Al Berto, de O Medo (2), in O Medo, Assírio & Alvim, 2005]
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17 de dezembro (1982)

Março 21, 2011 Deixe um comentário

     ainda é cedo para saber até onde mentiram os espelhos. o único consolo para a dor é saber que o desejo pode ser inesgotável. passo os dias absorvido com trabalhos caseiros. evito pensar em ti.
     cavo, planto, enxerto, podo, varo, limpo, cozinho, arrumo, lavo. é cada vez mais importante não me lembrar de mim. tem soprado vento glacial, fortíssimo, o que me desiquilibra imenso. enfio um gorro de lã até às orelhas, mas de pouco serve, o vento fustiga-me à velocidade do sangue. tremo o dia todo, como se tivesse alguma febre maligna. há três dias que não como e vivo, enroscado, junto à lareira. durmo no chão, mantenho o fogo aceso noite e dia.

[Al Berto, de O Medo (1), in O Medo, Assírio & Alvim, 2005]
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poemas com cinema

Novembro 19, 2010 Deixe um comentário

uma das próximas edições da Assírio e Alvim é a antologia “poemas com cinema” (brochado/ 208 pp/ €14).

«Sendo as relações da poesia com o cinema menos evidentes do que aquelas que aproximam a narrativa literária da narrativa cinematográfica, e também menos estudadas, talvez esta antologia possa contribuir para dar maior visibilidade a um diálogo certamente muito mais profícuo do que à primeira vista pode parecer. A poesia moderna e contemporânea tem sido, embora no terreno que lhe é próprio, uma arte da imagem e da montagem — ou então uma arte que, apesar de dominantemente lírica, não exclui a narratividade. Mesmo se a palavraimagem traduz universos conceptuais e técnicos diferentes em cada uma das duas artes, mesmo se a sintaxe entre as imagens se faz de forma diferente, mesmo se é diferente o modo de narrar ou de articular expressão e imagem — e não sendo da mesma ordem a visualidade que o cinema e a poesia podem proporcionar —, o fascínio pela imagem, a importância atribuída à relação entre as imagens e ao seu poder evocativo justificam a cumplicidade tantas vezes evidenciada nos poemas agora reunidos. Por outro lado, importará observar que, mesmo quando a poesia não se aproxima do cinema em função da imagem e da montagem, pode ainda procurá-lo por razões de ordem temática, ou porque a narrativa fílmica lhe abre novos caminhos no que respeita ao cruzamento entre lirismo e narratividade.»

Org. Joana Matos Frias, Luís Miguel Queirós e Rosa Maria Martelo

Os autores presentes são:

Herberto Helder
Edmundo de Bettencourt
António Franco Alexandre
Ana Hatherly
Mário Cesariny
Fernando Assis Pacheco
Armando Silva Carvalho
Alberto Pimenta
José Mário Silva
Gastão Cruz
Alexandre Pinheiro Torres
Pedro Mexia
José Miguel Silva
António Botto
Jorge de Sena
Pedro Tamen
Alexandre O’Neill
Eugénio de Andrade
João José Cochofel
Luís Quintais
Manuel de Freitas
Inês Lourenço
Ruy Belo
Jorge Sousa Braga
José Alberto Oliveira
Ruy Cinatti
Fátima Maldonado
Raul de Carvalho
José Miguel Silva
José Tolentino Mendonça
João Lopes
Carlos de Oliveira
José Gomes Ferreira
Alexandre Pinheiro Torres
Maria Andresen
Fernando Pinto do Amaral
Gil de Carvalho
Manuel António Pina
Luís Quintais
Adília Lopes
Fernando Guerreiro
Helder Moura Pereira
Ana Paula Inácio
Fiama Hasse Pais Brandão
Daniel Jonas
Luiza Neto Jorge
Luís Miguel Nava
Al Berto
Rui Lage
António Osório
António José Forte
Nuno Júdice
Vasco Graça Moura
Ana Luísa Amaral
Miguel-Manso
Manuel Gusmão

Talvez a melhor justificação para esta antologia esteja no modo como os poemas agora reunidos ilustram diferentes formas de diálogo da poesia portuguesa dos séculos XX e XXI com o cinema. A amplitude docorpus poético aqui apresentado e a diversidade das poéticas nele envolvidas comprovam que o cinema tem merecido uma atenção continuada por parte dos poetas portugueses. Foi a esta cumplicidade que procurámos dar relevo.

Al Berto – doze moradas de silêncio

Abril 16, 2010 Deixe um comentário

o que sobra de Reis-Sá…

Março 23, 2010 Deixe um comentário

As referências a Jorge Reis-Sá continuam… sobretudo, e cada vez mais, as más.

O Livro dos Regressos [junto com] Al Berto na Casa Fernando Pessoa

AL BERTO

Lisboa, 1989 e 1997
frenesi [livro] / Movieplay [compact digital audio]
1.ª edição (ambos)
[19 cm x 13 cm] + [12,5 cm x 14,2 cm]
32 págs. + 28m : 50s
livro: capa de Helder Lage (foto); vinheta sobre fóssil de hipocampo e layout de pcd
disco: capa de Luísa Ferreira (foto); desdobrável desenhado por vpcd.sign
tiragem [declarada no livro] de 500 exemplares, sendo a do disco tiragem única
caderno com 2 pontos de arame, com o corte pintado da mesma cor da cartolina da capa
exemplares novos
150,00 eur

Foi o livro de regresso do Autor à poesia após a publicação da prosa Lunário, e de regresso temático à infância, aonde na infância o rebelde viria a nidificar. E é de um género poético contido, menos comum no decurso da sua obra, que sempre sem excepção fez a prova da leitura frente a um público. Al Berto veio a falecer prematuramente em 1997, pelo que a edição da sua voz em disco constituiu, por parte dos amigos mais próximos, uma merecida homenagem e o reparar de uma falta – por tratar-se de um escritor de certo modo na linhagem dos primevos bardos.
Posteriormente, o núcleo de poemas lidos pelo Autor na gravação, que constitui uma antologia pessoal e que se encontra transcrito na íntegra no desdobrável que acompanha o disco, foi copiado para livro e comercializado por um editor oportunista.

pedidos para:
frenesilivros@yahoo.com
telemóvel: 919 746 089
Publicada por PCD em 20:14

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