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Posts Tagged ‘a minha vida não dava um filme’

Her. Samantha. E eu.

Fevereiro 15, 2014 Deixe um comentário

Eu gosto da Scarlett. Soube da sua existência quando interpretou Rebecca, em Ghost World – única vez que a vi no cinema -, por causa de Clowes. Depois foi o Lost in Translation e Girl with a Pearl Earring, o primeiro por causa do Murray e o segundo por Vermeer. Seguiu-se Match Point, por causa de Allen. Outro salto até Vicky Cristina, pela razão anterior. Estes dois foram vistos pela ordem cronológica invertida. Hummm…. Aliás, o primeiro par também deve ter sido, corrija-me quem sabe. We Bought a Zoo, porque eu também sonho. Finalmente, não a vi como Samantha, em Her.
Como informação adicional: eu considero-a atraente, amável e sensual. Gosto da voz dela, sempre gostei.

Feita esta declaração, considero que Jonze deveria ter escolhido uma voz sem corpo que não se tornasse corpórea à primeira palavra… Ou até antes disso, porque a promoção e crítica do filme informa-nos sempre do elenco.
O guião leva-nos, claro, a ver Scarlett. Envolvida nas discussões, tensa, irritada e responsável pela nossa vida. O corpo dela… Porque é a voz dela. Se fosse uma voz, indefinida, nada concreta, o corpo seria outro… Nem o surgimento de alguém que pretende dar corpo àquela voz nos safa de Scarlett…

Her entra para uma sala do mesmo laboratório de ensaios onde vive Eternal Sunshine of the Spotless Mind.

Her és tu. E eu gosto, mesmo quando me olho indefinidamente ao espelho, tentando perceber se alguma das vozes na minha cabeça surge lá ao fundo, num corpo, acenando.

Her sou eu. Com um coração em expansão. Mesmo quando enfiado num quarto escuro e depressivo do meu cérebro. Mesmo consciente do número de contactos que tenho e quanto desses são de amigos.

Her somos nós dois: tu e eu. Sem agenda nem compromisso. Sem recurso a animais mortos. Nós dois estamos numa procura incessante da felicidade, que é a pior das estratégias… A que nos dá a cada momento asas maiores, para locais mais longínquos… Outros desafios… Mais vozes.

Her é a definição concreta de que o amor é mais do que o sexo de que ele precisa, é mais do que o riso de que ele se alimenta, é mais do que uma saudade intensa de um abraço. E quando tudo isto surge num momento, ele acontece: o amor.

Não perceberam? Vejam o filme e esqueçam este texto.

Hello I'm Samantha

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pudim de ovos

Fevereiro 1, 2014 Deixe um comentário

Fiz o pudim de ovos que há muito prometi. Espreitei-o, ainda quente, parece-me bem. Sorri.

Sorri como quando leio. Talvez outros precisassem de me ver assim sorrir, para ficarem serenos sobre o meu estar. Mas sorri para dentro. Como quando leio e o meu espírito viaja. Também eu gostaria que me vissem sorrir. Talvez percebessem quando acontece e mo permitissem amiúde.
A solidão reserva-me o contentamento.

A felicidade talvez surja com a morte.

pente dois

Janeiro 27, 2014 Deixe um comentário

Cortei
O cabelo.

No autocarro isolo
Me. Erro, portanto.
Perdi muito da capacidade
De ouvir e observar o som das palavras.
Dentro e fora ouço por obrigação
Conversas e mais conversas
E frases e palavras.
Preciso, por isso, cultivar o silêncio.
Cultivando o silêncio possível
Perco as experiências que me fariam escrever
Pensar e sonhar para além do
Imediato previsível:
Nada.

E fiz a barba.

nota para um diário inexistente

Janeiro 19, 2014 Deixe um comentário

Ouço a Margarida Vale de Gato e os seus amigos que lhe dizem os poemas. Mulher ao mar dito por vários poemas e interpretações. Estou só. Sozinho às vezes. Ao meu lado parte do projecto pensado há um ano e que não iniciei.
Ouço e, enquanto a poesia dita me afaga os tímpanos, emudeço a minha vontade. Cansado dos dias. Da frustração do dias. Sem força para combater a opressão da frustração. Medo de que seja isto o que os outros chamam depressão. Os dias passam. Passam a ferro as curvas que no meu gráfico rítmico me animam o espírito, evento cada vez mais raro na linha, assim quase recta, da sub-existência que preenche o momento entre o meu acordar e o meu adormecer.
“As pessoas são tão tristes. As pessoas são patéticas, meu amor.”

how much of you is me?

Agosto 3, 2013 Deixe um comentário

a importância do objecto no acto

Julho 23, 2013 Deixe um comentário

lendo livros e pensando na escrita constato, em retrospectiva, que fui mais contente e profícuo quando utilizava caneta de tinta permanente.

o cheiro do curral

Março 16, 2013 Deixe um comentário

entre o colapso da política, que se anunciou durante anos, mas então não passava de uma crise, e o inicio de um período de medo e lutas pela esconjuro destes, a sobrevivência de muitos cidadãos está em causa.

os medos são de diferente índole, variam entre a possibilidade da falta de pão para a boca e a implementação de políticas castradoras da liberdade de verbalização dos pensamentos. a partir daqui surgem os silêncios de muitos e a sua conivência com uma interrupção da cidadania, desde que garantidos pão.

preocupam-me também, mas muito mais, os que anseiam pela ordem da restrição das liberdades conquistadas pelos movimentos democráticos ou pró-democracia.

[de pensamentos incompletos e hilariantes]

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