ainda não, mas quase

Abril 17, 2018 Deixe um comentário

Ouço Chavela Vargas, no dia do seu aniversário, como tão bem recorda Alex Globau nesta imagem maravilhosa.

 

O sol na varanda. As cadelas em diálogo permanente com outros caninos distantes, também em varandas, provavelmente também cheias do calor e da luz directa do sol.

A mais velha mais serena, deita-se na luz. A mais nova endireita-se no murete e abana a cauda numa felicidade só interrompida pelos distância e falta de contacto directo com os outros patudos.

 

A minha rinite tenta sobrepor-se a este movimento primaveril de felicidade e faz-me rodear de lenços de papel encharcados em humores líquidos transparentes.

 

As lãs secam no estendal, determinando a vontade desta casa de afastar a escuridão e o frio do inverno.

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da fisiologia

Abril 16, 2018 Deixe um comentário

A condição humana pode ser tão filosoficamente pensada quanto reduzida a partículas pequena do dia-a-dia. Nestes dias, em que luto pela consciência livre do que foi, sem preocupações com o que virá – no sentido lato -, a minha condição humana pode passar pelo prazer no beber do café ou pelo alívio ao expelir gases intestinais.

Esta condição humana não tem nada de humorístico, representa apenas facetas do meu ser enquanto corpo e matéria orgânica ainda viva.

A minha cadela mais nova ladra na varanda, olhando a paisagem, enquanto o eco lhe responde na mesma forma.

Está sol e a cadela está feliz. Mais feliz estaria se pudesse correr ali em baixo e perseguir o voo dos pássaros ainda selvagens.

Um espírito coerente.

Eu, por sinal com o pensamento menos coerente a cada dia que passa, sinto-me em inércia. Um movimento sem alterações, que continua no espaço temporal a demonstrar o que soçobra nesta guerra pela sobrevivência.

Condomínio privado

Abril 15, 2018 Deixe um comentário

Os pensamentos são como inquilinos. Uns demoram-se mais tempo sem sair e outros vão-se sem que quase tenhamos tempo para lhes decorar os nomes.

Dos pensamentos que mais tenho, sinto que tenho encontrado inquilinos bastante estáveis. Contudo, não vejo nessa característica maior felicidade: ou são monótonos ou incorporam ideias que me perturbam. Nos diferentes apartamentos e moradias que tenho no meu cérebro, são pouco os que surgem e esvanecem-se, quase sempre os mais agradáveis.

Do que se vão, mal chegam, por exemplo, são os feitos de beijos e abraços. Dos primeiros, sei pouco e mal me lembro do último que se dignou visitar as minhas instalações. Dos segundos lá vão surgindo com maior regularidade, no entanto, sem grande azáfama.

São simpáticos, os abraços. Sorriem-me e dão-me alegria.

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You were a happy person and then you died

Abril 11, 2018 Deixe um comentário

Alguém deixou na internet uma mensagem de “este é o meu actor preferido” sobre James Gandolfini.

O que pensei imediatamente foi: os mortos não desiludem.

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Ssshhhhhh

Abril 10, 2018 Deixe um comentário

Este Abril, de sol e chuva, tem-me garantido absolutas falhas e momentos de máximo esforço para garantir controlo.

Hoje, descanso por não ter que conduzir no trânsito para a cidade. Os transportes públicos, atrasados, a abarrotar, ou outra coisa qualquer, aliviam-me do peso da frustração que vivi durante anos na condução matinal e vespertina.

Hoje, a rinite está rebelde e eu vou puxando dos lenços de papel.

Asseguro que o dia será triste, porque estou condenado, mas não que porque o dia me tenha julgado.

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Primavera ressuscitada

Abril 1, 2018 Deixe um comentário
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Nariz

Março 28, 2018 Deixe um comentário

Sou uma pessoa saudável. Carrego comigo maleitas, que marcam mais intensamente o compasso dos dias com a passagem dos mesmos.

Hoje, a sinusite deu lugar à rinite. Espirro violentamente e assoo-me com ritmo rápido.

Penso que me descasquei – corte de cabelo e barba – cedo demais.

As minhas cadelas brincaram muito hoje de manhã. Saltitavam na erva alta e perseguiam o voo dos pássaros entre oliveiras. A felicidade dos animais ignora o peso do conhecimento e sinto-me grato por isso, pelo efeito de contágio que sinto momentaneamente na presença delas.

Vou percebendo que a ida ao ginásio não é tanto um esforço físico como é mental.

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