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Archive for the ‘teatro’ Category

Rosto, Clareira e Desmaio, de Miguel-Manso

Agosto 12, 2017 Deixe um comentário

Talvez seja pequeno da minha parte, mas não consigo ultrapassar nenhuma menção a síncope vagal sem colocar na acção Cavaco Silva, o que me deixa tenso e, de uma forma leve, frustrado com a existência universal.

Posto isto, a terceira parte de Rosto, Clareira e Desmaio, de Miguel-Manso (2017, Douda Correria), torna-se numa leitura triste e em fuga permanente do meu próprio universo, o que prejudica o texto do autor.

Crendo na abrangência plena da etnografia, isto é, todas as acções são dignas de registo etnográfico, sinto as duas primeiras partes deste texto, que foi escrito para posterior interpretação dramatúrgica, como elementos poéticos de uma vivência do narrador entre os seus pares ou ante os seus objectos de observação.

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Categorias:livros, poesia, teatro Etiquetas:,

Conheci um louco que julgava que o fim do mundo tinha chegado.

Outubro 25, 2009 Deixe um comentário

Hamm

Conheci um louco que julgava que o fim do mundo tinha chegado. Ele pintava. Eu estimava-o. Ia vê-lo ao manicómio. Pegava-lhe na mão e arrastava-o até à janela. Olha!… Aí! Todo esse trigo que se levanta! E ali! Olha!… As velas dos navios! Toda esta beleza! Tudo! (Pausa). Desprendia-se da minha mão e voltava para o seu canto, horrorizado. Apenas tinha visto cinzas| (Pausa). Só ele foi socorrido. (Pausa). Esquecido. (Pausa). Parece que estes casos são… quero dizer… não são tão… tão raros…

[Samuel Beckett, de Fim de Festa, in Teatro de…, trad. F. Curado Ribeiro]

o Monta Cargas, em Almada

Fevereiro 14, 2009 2 comentários
o Monta Cargas, em Almada

#21.15 portas deviam ter aberto às 21. A representação deverá iniciar às 21.30. Mais de vinte pessoas à porta. Muitas crianças – que vão elas entender? – para ver o Monta Cargas de Pinter, do original Dumb Waiter, pelo grupo Cénico da Incrível Almadense. As pessoas batem à porta fechada, passaram 5 minutos. A representação, que estreia hoje, faz parte da Mostra de Teatro de Almada, a decorrer até 22 de Fevereiro. A sala pertence à Sociedade Filarmónica do Incrível Almadense. #21.24 abriram a porta. Fila para a bilheteira. Esta merda vai começar às 22h. Organização do local com nota negativa. #21.30 A caixa está sem trocos. Vou para a sala. É a sala ou salão de baile. Palco grande e alto. Cadeiras de resina, todas ao mesmo nível. Música electrónica de baixo valor nas colunas. No blog do grupo disseram-me que a lotação era grande e não esgotaria, tendo em conta a dimensão familiar e de bairro do local pode ser que esgote a plateia. #21.37 O espaço tem dois balcões e respectivas laterais. Pois, nao vai encher a plateia. #21.40 Para evitar cabeças grandes, sentei-me na primeira fila. Assim também evitarei conversas parvas, algumas. O frio está a atacar-me os dedos. #21.44 O cenário está rudimentar, suficiente. À minha volta já se queixam de que estão fartos de estar aqui. O nome desta peça, mal escolhido, está a implicar ideias sobre elevadores grandes, de carga, quando se trata de um elevador muito pequeno, para distribuição de comida ou objectos de pequena dimensão, habitualmente utilizados em hotéis ou casas com criados. #21.50 Ainda não começou. Acho que acertei na hora, há bocado. #21.56 Começou a peça. #22.45 Acabou a peça. Espaço inadequado para a peça. Muito eco. Existiu um esforço grande dos actores, mas uma colocação de voz pouco equilibrada entre eles. As pessoas perguntaram o significado da peça, e porque não se utilizou um terceiro actor para o alvo. Recomenda-se a leitura. As crianças e os adultos, mais as crianças, riram. As alterações do texto para identificação regional ou local dos clubes de futebol não são bem vindas, apesar do interesse em trazer as pessoas para o (resto do) texto. Não criaram a tensão esperada.

comentários posteriores:

não é indicado no cartaz de quem é a tradução utilizada – nem no programa da 13ª Mostra de Teatro de Almada. Tal é algo que me preocupa, essa falta de cuidado com as referências para o texto em português. Voltamos à velha história do esquecimento sobre os tradutores, o que nos leva também, eventualmente, a uma vontade de ausência de responsabilidade sobre o texto representado.

o porquê do nome da peça ter sido mal escolhido: a imagem mais conhecida de monta-cargas é o de um elevador grande e enorme, o que aconteceu com o público ao meu lado. poucos se lembram do pequeno elevador. outra questão pertinente, é o duplo sentido que se obtém da forma inglesa Dumb Waiter. a peça tem como personagens dois serviçais – waiters -, um deles mais tolo – dumb. ainda poderia esticar um pouco mais a corda, mas seria preferível lerem a peça, não?

bang bang you’re dead – sim?

Fevereiro 4, 2009 2 comentários

tive um referral à procura da peça em português, caso queiram contactar-me – a tradução está feita para português europeu-, é só deixarem comentário com contacto de e-mail preenchido 🙂

o não mito citador e afins

Janeiro 29, 2009 Deixe um comentário

Na clientela do Café Gelo, nos anos 50-60 (…) Havia, isso sim, um espaço de convívio em liberdade plena, feroz e mútua crítica, nenhuma contemplação pelo arrivismo, a vida prática, as etiquetas sociais que noutros meios, da mais categorizada Oh Posição oficial, se evidenciavam.

E houve suicídios, amores desatinados, gente perdida para sempre (…)

de O mito do Café Gelo, Diário Económico, 19-07-1995

Luiz Pacheco, in Figuras, Figurantes e Figurões

vem esta a citação, encontrada há duas horas atrás, a propósito de um meu comentário deixado em local próprio.

dedicado a todos

Janeiro 26, 2009 1 comentário

no seguimento de uma apreciação sobre caixas de luz, gera-se teatro cibernético. absurdo, é certo. estúpido, com certeza. mas um alerta à excelente poiasia que nos enche as medidas.

Persona 1 – meter o brilho no máximo
Persona 1 – e zá stá
Persona 2 – pois
Persona 1 – “zá stá” acabado de inventar no meu vocabulário
Persona 1 – :S
Persona 2 – muahahahahhaha
Persona 2 – >D
Persona 1 – se calhar fazia um poema sobre isso
Persona 2 – zá stá
Persona 1 – zá stá – zástá – zás tá – zaz tá – zaratrustá!
Persona 1 – lindo
Persona 1 – maravilhoso
Persona 2 – 😐
Persona 1 – humpf…
Persona 2 – 😐
Persona 1 – é assim? não gostas? porra… tanto esforço! e é assim?
Persona 2 – porra
Persona 2 – maravilhoso
Persona 2 – zás stá
Persona 1 – obrigado
Persona 1 – obrigado!!!!
Persona 1 – vou publicar!
Persona 2 – (weeee)

Pinter, Harold Pinter

Dezembro 25, 2008 Deixe um comentário
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