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Her. Samantha. E eu.

Eu gosto da Scarlett. Soube da sua existência quando interpretou Rebecca, em Ghost World – única vez que a vi no cinema -, por causa de Clowes. Depois foi o Lost in Translation e Girl with a Pearl Earring, o primeiro por causa do Murray e o segundo por Vermeer. Seguiu-se Match Point, por causa de Allen. Outro salto até Vicky Cristina, pela razão anterior. Estes dois foram vistos pela ordem cronológica invertida. Hummm…. Aliás, o primeiro par também deve ter sido, corrija-me quem sabe. We Bought a Zoo, porque eu também sonho. Finalmente, não a vi como Samantha, em Her.
Como informação adicional: eu considero-a atraente, amável e sensual. Gosto da voz dela, sempre gostei.

Feita esta declaração, considero que Jonze deveria ter escolhido uma voz sem corpo que não se tornasse corpórea à primeira palavra… Ou até antes disso, porque a promoção e crítica do filme informa-nos sempre do elenco.
O guião leva-nos, claro, a ver Scarlett. Envolvida nas discussões, tensa, irritada e responsável pela nossa vida. O corpo dela… Porque é a voz dela. Se fosse uma voz, indefinida, nada concreta, o corpo seria outro… Nem o surgimento de alguém que pretende dar corpo àquela voz nos safa de Scarlett…

Her entra para uma sala do mesmo laboratório de ensaios onde vive Eternal Sunshine of the Spotless Mind.

Her és tu. E eu gosto, mesmo quando me olho indefinidamente ao espelho, tentando perceber se alguma das vozes na minha cabeça surge lá ao fundo, num corpo, acenando.

Her sou eu. Com um coração em expansão. Mesmo quando enfiado num quarto escuro e depressivo do meu cérebro. Mesmo consciente do número de contactos que tenho e quanto desses são de amigos.

Her somos nós dois: tu e eu. Sem agenda nem compromisso. Sem recurso a animais mortos. Nós dois estamos numa procura incessante da felicidade, que é a pior das estratégias… A que nos dá a cada momento asas maiores, para locais mais longínquos… Outros desafios… Mais vozes.

Her é a definição concreta de que o amor é mais do que o sexo de que ele precisa, é mais do que o riso de que ele se alimenta, é mais do que uma saudade intensa de um abraço. E quando tudo isto surge num momento, ele acontece: o amor.

Não perceberam? Vejam o filme e esqueçam este texto.

Hello I'm Samantha

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