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se não houver mais nada, isto serve

a poesia mente.
aqueles que nas certezas a constroem, mentem.
as palavras encavalitadas ou desenhadas com letras, mentem.

Sento-me ou deito-me mas não escrevo. A minha cabeça inicia uma viagem, ou duas ou três… Fui para longe.
Tenho saudades do mar. Tenho saudades do vento. Tenho saudades da cidade que me construiu.
Penso nas saudades que tenho, tanto sentado como deitado. Quando estou junto ao mar não o vejo nem sinto. O vento que passa por mim incomoda-me. A cidade que me viu nascer é-me estranha. Entretanto, morro.
Celebro a morte, como celebram os aniversários as pessoas que gostam de aniversários, dos seus e dos outros: uma festa, ou duas ou três.
Dentro da minha cabeça ouço os ruídos das línguas de sogra, abro uma garrafa de verde borbulhante e azedo e sopro confetes para a cara dos convivas. Apago velas sem chama enterradas num cupcake gigante e, sobretudo, sorrio. Sorrio muito. Rio mesmo. Chego a gargalhar quando finalmente alguém me atira lírios para cima e se despede.
Um abraço, digo. E surge um abraço. Um beijo, reclamo. E surge um beijo. Deveria morrer mais vezes, penso. E tudo se apaga.

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Categorias:teoria
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