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está quente e não tenho medo

Quando acordei já era velho. O sol, notei, continuou a levantar-se. Umas vezes antes, outras depois de mim. Doíam-me as mãos. Comecei por sachar, depois cavar.

Perdi os cabelos pelas ruas da cidade e nos bancos da escola. Vi gente a morrer, sem nunca ter assistido à sua morte. Vi-os mortos e a serem enterrados. Choros e gritos e silêncios, entre cigarros pardos.

Trouxe a tristeza a pessoas que amo. E, mesmo assim, as andorinhas teimam em regressar, como se fosse quente este músculo oco.

Espero, entre silêncios, o fim do mundo. Se for já amanhã, ou ainda hoje, ou mesmo em breve, sei que não fui infante.

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