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Um Momento na Noite

(…) todas elas marchavam, ou por outras palavras, nenhuma ficava abandonada, esquecida ou encalhada, das mais feias às mais horrendas, das mais desnudadas às mais cobertas, das mais perfumadas às que já não tomavam banho há quinze dias – desculpa lá, querido, mas é que hoje não tive mesmo tempo – das mais bem pagas às mais baratas, das bem falantes àquelas cujo linguajar mais se assemelhava aos latidos de um cão vadio, ou às que não sabiam mesmo falar mas que importância é que isso poderia ter já que o momento delas tinha também chegado, o momento quando chegava era para todos, o mesmo instante fatal embora inesperado, o mesmo segundo ou fracção de segundo impossível de prever, dissimulado que estava por entre as luzes gritantes ou as brumas densas da noite (…)

[Rui Caeiro, excerto de Um Momento na Noite, in Um Momento na Noite, edição do autor, 2011]
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Categorias:poesia Etiquetas:,
  1. Ainda sem comentários.
  1. Março 22, 2012 às 13:46

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