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MOTET POUR LES TRÉPASSÉS

Este poema seria teu, Inês,
se não fosse de ninguém.
Ao chegarmos a Lisboa,
depois da paragem ritual
no Café Lisbela – onde tudo
se compra e tudo se perde -,
vimos uma cadeira de rodas
à venda, uma motorizada
ao lado, uma igreja vazia
da qual certamente gostariam
Andrei Tarkovsky, Tonino
Guerra ou Ana Teresa Pereira.

A poucos metros dali, o meu pai
morria, tentava penosamente resistir
a uma hemorragia cerebral. Mas
isso, claro, ninguém precisa saber.
Apenas tu, poema, que vieste de comboio
confirmar dia após dia que o Tejo
está onde sempre esteve: triste, azul, parado.

[Manuel de Freitas, in MOTET POUR LES TRÉPASSÉS, Língua Morta, 2011]
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  1. Ainda sem comentários.
  1. Março 22, 2012 às 13:46

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