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Sinédio

O meu pai morreu. Tínhamos fome e ele foi morrer, lá para os campos desertos de amor. Aqui a intempérie. A sede e a fome. A jorna da minha mãe. A jorna do meu irmão. A minha jorna: por um balde de azeitonas apanhadas do chão. A fome e a sede. E o meu pai foi morrer. "Vai!", disseram-lhe e ele foi. Depois de ter ido, não o vi mais, nem o caixão. Vinham caixões, mas o dele não. Ele foi um fruto adiado sem dia. A minha avó esperou velha que ele nascesse. Dizia ela que tinha ficado dentro dela mais de 15 anos. Sem dia para nascer. E morreu 10 anos antes de ver tantas primaveras quantos os anos da minha avó quando o pariu. Dizia a minha avó: "O meu Sinédio morreu. É triste uma mãe enterrar um filho. Mais triste é sabê-lo morto e não o poder enterrar."

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