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Trava-língua

Somos quatro copos
para quatro respectivas bocas
e cada copo situa-se ao lado do copo
da legítima boca.
Em frente aos legítimos copos
os ilegítimos,
cada um também com a sua respectiva boca.
Este é o alinhamento
até que uma respectiva boca
dirige à ilegítima
o seu copo
e baralha a posição inicial
oficial.
Então, a boca-par daquela
que recebeu o ilegítimo copo
repõe a situação:
gira o copo, copo, copo
lá.
Mas a boca que recebera o copo ilegítimo
gostara do seu sabor
e retoma o copo
ilegítimo
gira o copo, copo, copo
cá.

um copo assiste ao esquema rindo
secretamente condoído.
Porém o dono dos copos
leva os copos
e o copo não gira mais
nem cá
nem lá.

[Ana Paula Inácio, Telhados de Vidro nº9, Averno, 2007]
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