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La Confession

também eu trago nos ossos
a culpa, a minha grande culpa,
um hábito antigo e longo
que me disfarça as cicatrizes.

tenho frio e uma confissão
para te fazer: traí-te tanto
com outros versos, corpos
belíssimos, esguios e quentes
aninhando-se comigo na cama.

trago esta culpa nos ossos,
enganei-te letra após letra,
sem pudor, feri de morte ton espoir
et ton grand sens de l’honneur
,
essa vaidade de verso livre
com que atravessas o papel.

traí-te sem pesar e dir-te-ia
para partires já, ligeiro e mudo,
não fosse esta grande culpa
nos ossos, que me faz reescrever-te
ainda sobre o vazio do poema.

[Renata Correia Botelho, de O Anjo Errante, in small song, Averno, 2010]
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