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A cada passo perde a sombra em rua escura

A cada passo perde a sombra em rua escura
o sino brilha, sacudido, na trapeira;
e esses olhos que um anel de fogo arrasta
prendem a cobra decepada a uma garganta

Ainda a neve te deixasse ver a rua
(e os recessos da vigia desprendessem
o som dos élitros, antenas e mandíbulas
que desesperam como deus por sangue e seiva)

Assim ouvias as imagens contra o vidro,
o estribo d’oiro que brilhava em pele sorvida,
os dedos hábeis mergulhados numa veia

E lá no fundo, sob o arco do mar alto,
as borboletas ocultando a lamparina,
a cicatriz de uma lanceta no pescoço

[Luis Manuel Gaspar, Pandora, Averno, 2003]
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