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5.

Foi quando as palavras
se prenderam na minha garganta,
uma a uma, abri a boca
e espalhei na sala, depois
do jantar, alguns bocados antigos.

Ouvi mais uma vez o sinal interrompido,
quando quis escutar-te por dentro
(outra vez este plano),
os algarismos, fixos
na minha memória, um a um.
As minhas mãos sobre ti já
discaram quatrocentos números iguais ao teu.
Não sei o que são frases, a única sequência
está nos meus dedos. Debaixo deles,
tu, mais uma década, e duas vezes
o sete antes da tua voz.

Estamos agora longe
e não sabemos ainda
que esse homem de quem te falo
é o próximo e o último.
Estamos agora longe, melhores.
Mas preferia não sabe
nunca o teu lugar exacto,
coordenadas cegas,
dois números em qualquer cidade.

[Margarida Ferra, Curso Intensivo de Jardinagem, &etc, 2010]
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