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45 …prazo não tem, diria o oráculo, mas há-de haver um

…prazo não tem, diria o oráculo, mas há-de haver um tempo, e o tempo cumprido excede a intenção, mina a a vontade, arruína o querer, moral da estória: o tempo em curso agora, a escolha, a escassa margem de algum porto de abrigo, liquidou os rumos, sumiu os prazos, anulou as apostas. nada de novo e assim recolhe o cágado ao escuro frio, digerir cansaços. e quando acorda e vai, não é, magrinho, refazer memórias, nem nada lembra já, o que o calor acorda é só o sangue, que se engrossou do que dormiu, esqueceu.

[Ruy Duarte de Carvalho, in Ordem de Esquecimento, Quetzal Editores, 1997]
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