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Nuno Bragança

Nuno Bragança dizia-me sempre um simpático
«Olá, rapaz!» quando o apanhava na Trindade
em confidências alcoólicas com o Fernandinho Almeida.
Era já o fim da linha e não sei mesmo
se ele chegou a andar na carreira do 24.
Nas prosas se via o desespero, tal como a impaciência
com que escutava tiradas mais literatas.
Enraivecia por dentro, mordido por outros
deuses, venenos aziagos. Encontrei-o
uma vez à chuva, e perguntei-lhe: «Então?»
Respondeu: «Deixa-me estar nesta paragem.»
Era à porta de um hotel. Hesitava.
Sei hoje que talvez bastasse outra palavra
para a sua alma poder ainda ser salva.

[Eduardo Guerra Carneiro, CONTRA a CORRENTE, &etc, 1988]
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