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BERLIN (CAFÉ EINSTEIN)

Café, não Müller. Aqui decorre
uma variação desse exercício de luto,
onde me demoro com um copo de vinho
e os teus comentários que releio.

Nestas palavras provisórias
que se demoram a transformar
numa resposta, consumo o que aqui
não está, uma última dança nos
movimentos dos funcionários

neste espaço que se reordena, com
o arrastar de cadeiras, o bater
dos talheres e estalar de goma das toalhas.

Lá fora, no avanço meridional do verão,
p céu é uma longa sombra. Aqui são matérias
de despedidas, de aprendizagem

do que se arruína, aquilo com que me debato;
esta procura de sentir por ausência,
do que se sobrevive da beleza
que se destrói a cada morte.

E com as tuas palavras, essa tua última frase,
que me prende à erma terra destes versos
ao ver ir-se perdendo «toda essa gente
contemporânea que nos salva do tédio absoluto».

[Rui Miguel Ribeiro, in 38º (2ª edição)]

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