Eugénio de Andrade e… um grão de pó de Reis-Sá

Ele há criaturas de Deus (pois assim se auto-denominam com os seus credos), que enfim… despontam a cada momento no inferno que os outros são (Sartre).

Registe-se a seguinte notícia com origem aqui.

Sublinho eu, no artigo, o legado de Jorge Reis-Sá.

Poeta esquecido e encaixotado

por JOANA EMÍDIO MARQUES (13/06/2010)

Cinco anos depois da morte, Eugénio de Andrade está no centro de uma disputa entre a Fundação e os herdeiros.

Foi numa manhã de Junho, faz hoje cinco anos, que o poeta Eugénio de Andrade abandonou a vida, que não se cansou de exaltar. Numa espécie de ímpeto visionário o próprio escreveu num poema:”Pela manhã de Junho é que eu iria/ pela última vez.” Se há cinco anos se extinguia o corpo do poeta, hoje é a Fundação que criou que está à beira da extinção e a obra “à beira do esquecimento”, na opiniãode José Cruz Santos, o mais antigo editor de Eugénio.

O artista, que segundo o escritor Mário Claudio “era uma pessoa complexa mas generosa”, criou, anos antes da sua morte, a Fundação Eugénio de Andrade, para garantir “uma gestão organizada da sua obra e dos seus pertences”, explica fonte próxima da Fundação. “Mas também para garantir que Miguel Moura, seu afilhado e os pais, tivessem uma casa onde viver”, contrapõe, José Cruz Santos.

É essa casa que alberga traços da vida do poeta, manuscritos, obras de arte, fotografias, que alberga também os seus entes queridos, que agora se tornou o centro de uma violenta polémica, que opõe o herdeiro e um conjunto de amigos de Eugénio de Andrade à direcção da Fundação. Numa espiral em que se arrastam desencontros, acusações mútuas e falta de dinheiro, o conselho directivo da instituição pediu, em Janeiro, a extinção da fundação ao Ministério da Administração Interna.

Segundo informações obtidas junto da direcção da Fundação, um dos motivos que estão na origem deste pedido é a falta de subsídios, uma vez que, desde 2004, o único financiamento da instituição provém da Direcção-Geral das Bibliotecas. O outro motivo foi a acção judicial que o herdeiro de Eugénio de Andrade (pai de Miguel Moura) moveu contra a fundação, no sentido de impedir a terceira edição do volume Poesia, que reúne toda a obra poética do autor.

Ana Maria Moura, mãe do afilhado de Andrade, acusa a direcção da instituição de “não estar a fazer nada pela divulgação da obra do artista, de ter tudo amontoado em caixotes e de não ter pedido ajuda dos amigos para resolver a questão da falta de dinheiro”.

E se Mário Cláudio acusa alguém de querer ter a “exclusividade sobre Eugénio de Andrade”, a Fundaçãoconsidera que há “quem veja na obra e no espólio do poeta uma mina de ouro”.

Embora Arnaldo Saraiva, presidente do conselho directivo da instituição, se tenha escusado a falar, o DN apurou que o espólio do artista “está a ser catalogado” e que a obra não está no mercado devido à falência das distribuidoras, uma delas a Quasi, que ficou a “dever muito dinheiro à Fundação”.

A extinção da Fundação parece ser o único ponto consensual para todos. “É do agrado da Câmara Municipal do Porto”, afirma Mário Cláudio, que considera ainda que “se vão abrir novos horizontes para a divulgação da obra do poeta, que nunca devia ter deixado de pertencer à Inova, de José Cruz Santos”. A posição da administração da Fundação é a de que “o espólio é da cidade do Porto e deve ser administrado pela autarquia”.

O poeta que cantou a beleza solar da natureza e o amor está agora refém de uma sombria polémica, que, nas palavras de Mário Cláudio, se explica”pela superficialidade com que em Portugal se tratam os artistas quando estes morrem”.

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