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mais ou menos isso, sem tirar nem pôr.

A pouca morte que se anuncia é morte suficiente para ter a noção de fome.

Assim vê a poderosa foice o seu destino e, no entanto, o gato de alguém morreu ontem. Dezasseis anos, talvez, de amor com a sua família, de certo, prostrados no chão da cozinha no meio de mijo e saliva em espuma.

Nós continuamos a deixar o nosso mundo para trás, olhamos em frente e ligamos o motor do carro. Vamos viajando, miramos a berma… Só pararemos num novo mundo – o mais iluminado.

Abro os braços e o vento enleia-se em mim: um corpo franzino e fraco… Com poucas doenças e menos vontade. O vento enleia-se num abraço suave e fresco, sem aperto, sem medo… Só o vento e eu.

Hoje, um senhor acusou-me da falta de respeito. Eu não tive tempo de abrir a boca e já o senhor pedia desculpa pela irritação, porque era assim todos os dias… Assim, ora uma pessoa ora outra, estacionando em frente do seu portão. Parei cinco minutos. Eu nunca o tinha feito, para além de não fazer coisa semelhante noutros locais. Mas percebo-lhe o asco, é como a minha relação com os histéricos do futebol.

Cheguei à estação terminal… Para a máquina. Eu terei que continuar.

E assim vai o mundo, com o papa-móvel a fazer parar um país que só se interessa pelo imediato.

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