Início > poesia > o velho observa eu estou podre ela podre está enfim

o velho observa eu estou podre ela podre está enfim

o velho observa eu estou podre ela podre está enfim
apodrecêmo-nos um ao outro ou então em todo o caso
apodrecemos lada a lado é um conforto
mas à noite ah
à noite o que lá ía não foi e vem chega agora claro obscuro e
tapa-me os olhos e a boca e os olhos e a boca tapados são outra coisa e eu
sou livrer e leve livro-me de tudo o que me deram vivo do ar e
sou capaz
ó céus
tanto lugar onde cair
ó céus tanto onde não cairei
e eu julgo que quero mais tempo engano!
mais tempo para apodrecer mais fundo? mais tempo para respirar fundo!
e o velho arrasta o que vem pela velhice dentro e a velhice sucumbe
e o tempo volta para trás ou cai de bruços e já não me levanto agora anteontem é outra coisa e
estico os olhos e enteso as narinas e aprofundo as coisas ou então contorno-as demoradamente
anteontem não me deram nada nem respiro
ó céus tanto lugar onde não cairei
dai-me chão ó céus dá-me chão onde cair
dá-me estrelas para dentro ver
estreladas carnes onde confusamente me entretenho
com quem delicadamente as revolve

[Bénédicte Houart, in Reconhecimento]

Anúncios
  1. Ainda sem comentários.
  1. No trackbacks yet.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: