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O sabor

Da janela onde sempre perguntaste, talvez nada mais do que a pergunta que encontraste, acendes o cigarro que não podias fumar e sabes que cada instante do fumo que aspiras é um passo mais na morte que caminhas (sabes e continuas). Sabe-te bem o cigarro, mesmo quando tosses, mesmo quando queima o ar que a tosse rasga. Sabe-te bem o silêncio a pairar sobre os telhados das casas, a noite que o mar estende para lá do horizonte (e é contudo perto, e é para lá de ti). Não seria este o seu sabor se não fosse a morrer. Não seria este o seu rosto, belo porques sem resposta. Não seria esta a tua morte, a lágrima que corre e guarda o nome feliz.

[Jorge Roque, in Broto Sofro]

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