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«Mas uma sombra, o que é uma sombra?»*

A meio de Março a noite começa
e a minha presença é desnecessária.
Na casa em desordem o erro é o mesmo,
nem sei porque insista: mas posso escolher?
As linhas que traço são vozes avulsas
que o remorso alcança, ondas hertzianas
de um canal exausto, frases que apareciam
escritas nas paredes da calle del Ángel
onde fui tão novo. Por toda a cidade te ouvia
dizer na minha cabeça: me enfada la gente, só
porque soy libre. Sombras e fantasmas,
coisas que não chegam a durar um verão
e falam connosco o resto da vida.

*João Miguel Fernandes Jorge, Um Quarto Cheio de Espelhos, Quetzal, Lisboa, p. 61.

[Rui Pires Cabral, in Oráculos de Cabeceira]

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