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Nas horas do silêncio

Nas horas do silêncio,
à meia noite,
eu louvarei o eterno,
tu louvarás o eterno,
ele louvará o eterno,
ela louva-a-deus,
as mãos pardas, esguias,
habituadas a pelar enguias.

Nas horas de ruído,
ao meio-dia,
eu louvarei o eterno,
tu louvarás o eterno,
ele louvará o eterno,
ela louva-a-deus,
o altar do sacrifício
tem um orifício acoplado,
para o sangue escorrer.

O sangue, isto é,
aquela mistura sentimental
que o corpo nestes casos
segrega,
uma papa com brancos e tintos
acompanhados ao rubro

Às vezes
com pastas de fígado empapadas, doces de ovos, gelatinas…

Louvado seja deus, etc.

[Alberto Pimenta, in Tomai isto é o meu porco]

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