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O luar, como uma roupa tua deixada no chão, cobre o espaço
de todas as ruas. É então que te sei nua nos mercados fe-
chados da cidade, entre aromas perpétuos e coisas abando-
nadas ao acaso:

um lenço vermelho, uma corda gasta, o pé lento de uma bo-
neca sacrificada.

Eu perdi dois pulmões na guerra dos instintos. Agora preciso
fechar os olhos, ou capa que defenda a matéria albina do
meu querer.

[Vasco Gato, in A prisão e paixão de Egon Schiele]

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Categorias:poesia Etiquetas:,
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