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a ausência

Eis o domínio
da língua exasperada
e sem contorno,

onde as palavras rompem
do coração mirrado da palha,

eis o domínio hostil
aos cabelos
inumeráveis da água,

diadema
a que faltam as pedras
todas dos teus dentes,

abandonado
aos cães do outono,
ao leite das utrigas,

às raízes do sono.

[Eugénio de Andrade, in Poesia]

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Categorias:poesia Etiquetas:, ,
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