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lá fora faz sol e aqui dói-me a mão

faço parte de um grupo de anónimos, desconhecidos entre si, que abandona os barcos. os motivos são vários, válidos ou nem por isso.

hoje existem várias agregações de cultura alternativa – no meio da escrita -, onde se repetem consecutivamente alguns nomes – os nomes que irão subsistir mais anos no meio, mesmo que não seja de entre esses que surjam nomes de sucesso. conheci-os anonimamente e fui esquecido anonimamente – obviamente por ter abandonado o barco, e não por ter sido afastado.

a desilusão, maior razão, com a escrita (sobretudo a minha) fez-(faz-)me crer estar longe da validade para existir.

o reconhecimento que existia entre pares de uma certa excelência qualitativa ou algo parecido, quando, em abono da verdade, se estava perante elementos para avaliação bastante díspares, sendo que muito poucos roçavam o bom e a maioria estava abaixo da linha do aceitável, fez com que me apercebesse que a crítica dentro do grupo participativo não tinha validade, pois todos se elogiavam sendo evidente que não poderia ser assim. (haviam críticas negativas, mas dirigidas a pessoas fora do grupo e já com algum reconhecimento.)

não posso negar o significado positivo das agregações alternativas, pois delas e nelas se desenvolvem sempre frutos bons. cada vez mais, elas são necessárias para canalizar os espectros intelectuais duma sociedade mais abandonada e dispersa. contudo, a pequenez continua a existir – porque o povo é pequeno e estranha mundos largos (*), apesar de ser evidente que tanto a Big Ode (zine de poesia e imagem) como a Minguante (revista virtual de micro-contos) já são largas e relativamente abertas ao mundo – penso até que sabem gerir esse alargamento no sentido do seu interesse linguístico próprio.

é certo que só a manutenção de um ou mais grupos persistentes e colaborantes – existindo um core de suporte -, permitirá evidenciar um estilo ou uma noção de pensamento teórico de uma época. isto foi discutido no início do século e concluiu-se que não existe um pensamento teórico em nenhum suposto grupo desde o final da década dos anos 80 do século passado. existe apenas a óbvia necessidade de agrupamento para ser mais simples o esforço económico… ou, tão só, se alguém tiver uma ideia e dinheiro, junta-se um grupo de pessoas à volta para usufruir de ambos. os exemplos são vários.

e, já agora, eu estou a escrever isto para quê?

(*) assunto roubado aqui

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