Agosto 21, 2017 Deixe um comentário

saímos tão tarde.
tarde. quase manhã.
o sol, ainda por descobrir,
aclarava
a noite, perdida de sono.

o regresso impossível
ao lugar de todos os dias
antes.

saímos. uma partida
para outro lugar
de hoje.

amanhã incerto.

Anúncios
Categorias:posto móvel

permanência temporária

Agosto 13, 2017 Deixe um comentário

Percorri, hoje, um caminho em volta do Lugar da Igreja (Sistelo).

Um contorno dos sucalcos do lugar, entre os sucalcos do lugar, com pequenos assomos de água por entre as rochas.

Agora, que estamos no pico do Verão, observa-se um verde seco, com os ouriços das castanhas já formados e o calor suportável à sombra da grande variedade de árvores.

Como em todo o lado, provavelmente, estes serão terrenos mais belos nas estações intermédias, sem o mal estar da canícula nem o querido mês de Agosto a despontar em todos os lugares, para além da coluna de fumo que surgiu do outro lado da serra – evidência triste dos fogos que polulam as notícias.

Aqui, parece-me, a paz é bastante, tanto que a cadela tomou como seu território a casa e o logradouro onde estamos, que conhece há apenas dois dias. Os animais, tímidos na cidade cosmopolita, aventuram-se na conquista de pedaços de terra aparentemente desocupados.

Mas, escrevia, a paz é bastante. Passa um carro ou outro, com mais alarido a peixeira. Do centro do Lugar da Igreja, soaram música gravada, ontem, e a celebração da missa dominical, hoje. De resto, o relógio, pelos sinos da igreja, toca uma melodia a cada meia hora, acompanhada das badaladas às horas certas.

Do percurso, a possibilidade da refrescar as ideias e o corpo no rio. Ver os alfaites a deslizar na superfície da água. Pensar-me animal como ela, sem subterfúgios, conquistando com ela este lugar.

Categorias:intimidade Etiquetas:, ,

Rosto, Clareira e Desmaio, de Miguel-Manso

Agosto 12, 2017 Deixe um comentário

Talvez seja pequeno da minha parte, mas não consigo ultrapassar nenhuma menção a síncope vagal sem colocar na acção Cavaco Silva, o que me deixa tenso e, de uma forma leve, frustrado com a existência universal.

Posto isto, a terceira parte de Rosto, Clareira e Desmaio, de Miguel-Manso (2017, Douda Correria), torna-se numa leitura triste e em fuga permanente do meu próprio universo, o que prejudica o texto do autor.

Crendo na abrangência plena da etnografia, isto é, todas as acções são dignas de registo etnográfico, sinto as duas primeiras partes deste texto, que foi escrito para posterior interpretação dramatúrgica, como elementos poéticos de uma vivência do narrador entre os seus pares ou ante os seus objectos de observação.

Categorias:livros, poesia, teatro Etiquetas:,

da violência

Agosto 9, 2017 Deixe um comentário
Categorias:posto móvel

Agosto 8, 2017 Deixe um comentário
estamos todos a fazer um esforço
cada um faz o seu esforço

esforços assíncronos

por vezes
resultam

a sobrevivência não
está assegurada
Categorias:posto móvel

c’est moi

Agosto 7, 2017 Deixe um comentário
Categorias:posto móvel

“Se eu agora parasse” de Vasco Gato

Abril 19, 2015 Deixe um comentário
Categorias:poesia Etiquetas:
%d bloggers like this: