teoria da desilusão

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Corredores

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Agora dormes e acordas
cada vez mais longe. Não sei porquê.
Julgo que tens sido fiel a uma certa noção
de sofrimento. Os teus dias já nascem obrigados
à noite que fundaste, são os corredores
de uma misteriosa predestinação. Mas

e se o tempo fosse um erro teu, um erro
de percepção? Anda daí. Estas avenidas
não têm verdadeiramente outro propósito,
foram escritas por capricho no grande livro
de Deus. Haverá outras oportunidades
para a descrença, outras violências. entretanto,
devolve-me o favor das tuas mãos e permite
que caminhemos juntos outra vez.
Ao sol, ao sol.

[Rui Pires Cabral, de Praças, in Praças e Quintais]

Escrito por j m

Março 21, 2009 em 08:30

Publicado em poesia

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de que serviria

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Aquilo que somos não é aparente,
não podemos explicar o sofrimento de onde procede
este amor. Mas eu não vim para te dizer como as sombras
mistificam o mundo, oh não me perguntes
nada. Tu já és a causa por trás da máquina
dos dias, se eu for por essa terra fora,
será para chamar por ti.

[Rui Pires Cabral, in hífen 10 - Cadernos de Poesia - anos noventa (alguns poetas)]

Escrito por j m

Janeiro 21, 2009 em 01:24