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O sono retirou-se do meu corpo e as cigarras
O sono retirou-se do meu corpo e as cigarras
atormentam as minhas noites. Depois de teres
partido, os lençois da cama são como limos frios
que se agarram à pele. Porém, se me levanto,
não faço mais do que arrastar a solidão pela casa;talvez procure ainda um gesto teu nos braços
do silêncio, como um pombo cego a debicar
as sombras na única praça deserta da cidade —o amor nunca aprendeu a ler nas linhas da mão.
[Maria do Rosário Pedreira, in O Canto do Vento dos Ciprestes]
da poesia
a Aldina Duarte (tenho que ver se ouço o novo álbum dela), dizia num Câmara Clara recente, que tinha descoberto a Maria do Rosário Pereira há pouco tempo. Eu, que a descobri há uns anos, ainda era editora na Temas e Debates, venho aqui escrever porque me pus a ouvir o álbum “À Noite” de Carlos do Carmo, e estava ele a cantar o “Pontas Soltas”, com letra da Maria do Rosário Pedreira.
“Tu tens de perder o jeito
De ser sempre a mais bonita
E despertar tanta inveja.”
ou
“Nada disto acontecia
Se desses as tuas voltas
Sempre, sempre, em meu redor.”