teoria da desilusão

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o verão que nos chega

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o verão que nos chega

Está calor. São 07h38.

Ontem, pelo correio, chegou A Flor dos Terramotos. Veio de Braga, da Centésima Página – serviço atencioso e delicado.

Foi um dia de recuperação e novidade. A biblioteca ganha novos volumes e restabelece-se de outros que sabe ter, mas não sabe onde.

Ainda está calor. São 07h49.

Escrito por j m

Maio 27, 2009 em 07:50

Publicado em livros, posto móvel

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para os tempos vindouros

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para os tempos vindouros

Antes da pandemia recolho material.

Nunca escrevi rigorosamente nada que tivesse valor.

A pandemia será para ler, se vivo.

A minha herança serão os poucos livros recolhidos, se morto.

Escrito por j m

Maio 26, 2009 em 22:37

Livre Arbítrio

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Notei, hão alguns dias, mais uma discussão pública entre o grupo do Freitas (Averno) e o das Quasi (Reis-Sá & Melícias).

Partindo da publicidade errónea de que Tiago Araújo publicou agora o seu primeiro livro (Livre Arbítrio, Averno), surge a correcção de Reis-Sá, informando de que se trata afinal do seu terceiro livro, os dois anteriores surgiram nas Quasi.

Melícias insurge-se, no blog de Mário Silva, contra a crítica de Guerreiro na Actual, que insiste na publicidade do facto errado. Mas Melícias não se fica por aí, retomando(?) a polémica iniciada hão 4 ou 5 anos, entre os dois grupos de amigos mais visíveis, no meio da nova poesia portuguesa. Melícias está ofendido, não só pelo facto da insistência em publicitar um erro que a história desmente, como pela Actual estar, assim julga, predominantemente afecta ao grupo de Freitas e, por isso, tantas vezes parcial na escolha dos livros que mostra como no conteúdo da artigalhada.

Penso que estas rixas são coisa boa, tentam demonstrar uma vitalidade do debate de ideias, que, temo, não existe de verdade. O que parece existir é apenas um reflectir sobre os eventos de forma a prejudicar a imagem em outro, mas sem análise de conteúdo estético da literatura divulgada pelas partes.

Qual a razão que leva a Averno a publicar um autor sem impacto no meio, que antes era das Quasi? O que marca agora a escrita desse autor? Ou é apenas uma situação fruto das circunstâncias e do tempo? Estará a Averno a mudar?

E o autor, que tem a dizer? Será que renunciou os livros publicados nas Quasi?

Nomes próprios: Manuel, Jorge, António, José.

Nota final: mais se poderia escrever.

INTERMEZZI, OP 25

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Escrito por j m

Maio 11, 2009 em 16:42

Publicado em livros

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stabat mater

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Benilde, ao balcão reza de pé
a novena do Menino Jesus
de Praga. Alguém, que nunca
mais vi, tinha a mesma devoção
— e um mapa de heroína
a servir-lhe de braços.

Custa-me interromper a
novena para pedir, claro,
mais uma cerveja.
Tão diferentes modos de rezar,
debaixo do relógio que há vários anos
nos diz que ainda não são quatro.

Prevêem, na rádio, uma descida
da temperatura. É tudo o que
me importa saber.
Enquanto Benilde, ao balcão,
continua a rezar ao Menino Deus.

Fez-se silêncio. Tem
uma garrafa vazia ao lado.
Acendo um cigarro
em memória de Pergolesi
e escrrevo, sem querer,
o primeiro poema do ano.

[Manuel de Freitas, in Juxta Crucem Tecum Stare]

Escrito por j m

Março 21, 2009 em 20:30

IX

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       para o Rui Pires Cabral

«Este é o único lugar da minha juventude
que não mudou», diz o Rui, talvez
à décima cerveja. Mas lembrou-se
(é natural) da morte, cadeiras vazias,
rápidas substituições em campo
de ninguém.

              E ficámos os dois com pena
de não podermos comprar uma canção
de Brassens, Young Marble Giants ou Freddy.

Tantas cervejas depois
e continuamos sem perceber nada.

[Manuel de Freitas, in Estádio]

Escrito por j m

Março 21, 2009 em 02:00

Avenida do Mar

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Trapiche, Santa Quitéria,
Boa Morte. Gostávamos
sobretudo de perder os autocarros,
sentados na esplanada mais
anacrónica do mundo
- do nosso mundo.

Em cada um adivinhávamos
fatigados destinos,
novíssimas furnas,
cercos de alcóol em afronta.
Pedia, só para ti, outro gin tónico.

Mas éramos jovens, talvez felizes.
E o amor apenas nos bastava.

[Manuel de Freitas, in Qui passe, for my Ladye]

Escrito por j m

Janeiro 20, 2009 em 01:01

loneliness – extra features

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por causa deste post, este user de twitter começou a seguir-me (é um twitt com artigos sociológicos e etc. sobre solidão).

agora, aqui fica o que faltava nesse mesmo post, apresento-vos Loneliness, pelos Tuxedomoon:

Here comes loneliness

Here comes the onlyness

Here comes his holiness

Here comes loneliness

Here comes another day

Here comes the only way

Here comes loneliness

Here comes the onlyness

Here comes loneliness

Here comes the onlyness

Here comes another day

Here comes the only way

Here comes the morning sun

Here comes another one

Here comes loneliness

Here comes the onlyness

Here comes loneliness

Here comes your history

Escrito por j m

Dezembro 26, 2008 em 13:02

loneliness

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à memória de Eduardo Guerra Carneiro

Há refrões que não são fáceis de aprender:
Here comes loneliness*.
Foi essa, desde o início, a nossa história.

Que passos te levam
ou não levam agora aos mesmos
bares, a portas fechadas,
àqueles de que nem pudeste despedir-te?

Procuras uma resposta,
a forca simples de um olhar.
Mas é demasiado tarde,
canções
que fingindo a vida nos sepultam.

[Manuel de Freitas, in Walkmen]

*suponho ser verso da letra de Loneliness dos Tuxedomoon.

Escrito por j m

Dezembro 24, 2008 em 18:35

Publicado em poesia

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