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sobre a razão
Num país que não conhece
sequer o sabor da sua própria nudezerramos na noite sobre os membros
o peso obscurecido do desejo —tão alta é a nossa razão
que somos nós a boca mais fresca do sol.
[Eugénio de Andrade, de Véspera da água, in Poesia]
a ausência
Eis o domínio
da língua exasperada
e sem contorno,
onde as palavras rompem
do coração mirrado da palha,
eis o domínio hostil
aos cabelos
inumeráveis da água,
diadema
a que faltam as pedras
todas dos teus dentes,
abandonado
aos cães do outono,
ao leite das utrigas,
às raízes do sono.
[Eugénio de Andrade, in Poesia]