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between the desert and the city lights
gostava de ser feliz
na batalha dos dias, enquanto os olhos guardam a insatisfação dos tempos, o que eu penso é que gostava de ser feliz.
ser feliz assim como em ser contente, sem preocupações, sem que a vida me trouxesse atribulações nem problemas solúveis apenas com a calma e a serenidade.
ser feliz cerebralmente. não falo de amores. falo de paz interior na relação com o mundo exterior. não falo de amores, porque esses fazem parte do mais interno dos interiores.
ser feliz cerebralmente. como a morte.
para um eco
os teus caracóis encaracolados entre si
caindo nos meus dedos
como a distância
sobre o calendário longo da saudade
a mão esquerda
esta mão que vos escreve, sempre negligenciada, abandonada, pouco reconhecida, poderia contar a história dos meus amigos, que saúdo entre silêncios de tempo indeterminado (mais reactiva do que activamente), dos meus amigos que amo mas a quem não falo sobre a minha vida. e acabo por não lhes saber os passos. e acabam a gritar comigo por os ignorar e, para além dos meus amigos, a minha amante e amiga, injustiçada no meio atroz da minha demência. a ela mantenho-a num mundo separado, sem introdução ao outro mundo, que é cheio de diferenças e sorrisos, que são, afinal, os meus amigos.
quando todos os meus mundos precisam ser aproximados, envolvidos… porque fazem sentido juntos.
e todos eles, mesmo assim, ainda gostam de mim. e ficam à espera que eu avance um passo e lhes reconheça, tacitamente, que são eles que me suportam a alma. afinal, é nesta gente toda, para a qual sobram dedos dos dez das mãos, que eu transporto tanta da minha volúpia emocional, intelectual e física.
é nesta gente que penso quando vivo, e vivo quase todos os momentos com esta gente no pensamento.
lamento sempre os meus actos, mas enquanto os factos não forem revelados não há lamento que se admita na minha culpa judaico-cristã.