teoria da desilusão

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uma hora para matar tempo

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duas mulheres açoreanas, a querer matar tempo, foram aconselhadas a ir à feira do relógio. saem do Olissipo, cruzam-se comigo e perguntam pela feira. digo-lhes que é longe para ir a pé. uma pergunta à outra, mas como é a feira? a resposta envolveu uma panóplia de tentativas de informação sobre ciganos, comida, roupa. a outra resumiu então: uma feira de confusão. e sorriu. aliás, o que não faltou nesta conversa foram sorrisos. e se estava aberta. eu fui sincero e disse que, mesmo tendo passado por lá cinco minutos antes, não tinha reparado. bem, se era longe para ir a pé, não iam gastar dinheiro para lá ir. perguntaram-me, e o que se pode ver aqui para além do vasco da gama? hesitei. a frente de rio está cheia de elementos passíveis de serem vistos, mas certamente elas saberiam disso. referi que há pouca coisa – admito a posição drástica, mas para quem queria ir ver a feira do relógio (mesmo que enganadas. será esta feira um elemento típico do continentalismo lisboeta?), é porque já saberiam da oferta nas proximidades. elas olharam-me sorrindo, mas com certa desconfiança. reagi de imediato referindo o oceanário. um sorriso franco e mais aberto: AH! e onde é? eu gosto de tudo o que tenha que ver com peixes. fiquei pasmo, por dentro. elas dormiram a cerca de 3 minutos do oceanário e não sabiam onde estavam – sim, eu sei que não tenho nenhuma informação sobre donde vieram, para onde vão ou quem sejam estas duas mulheres. expliquei onde é o oceanário: assim, assado, e o maior edifício que verão dentro do rio é o oceanário. e paga-se? sim. tem multibanco? sim, é um complexo grande, tem loja e café. um grito de satisfação. um sorriso imenso. sai a pergunta: este oceanário que me diz é aquele muito conhecido? respondi afirmativamente. histerismo instalado. ai, muito obrigado. estende-me a mão para me cumprimentar, agradecer e ir embora a correr. e vira-se para a outra: anda, anda, é o oceanário. vamos, vamos, temos pouco tempo. e disseram-me adeus acenando, já a uns metros de distância.

Escrito por j m

Maio 30, 2009 em 10:14

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pormenores

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desde que mudou a hora.. os posts têm 1h a menos… corrigido com este… ‘tou p’ra ver se me lembro quando lá para outubro.

Escrito por j m

Maio 7, 2009 em 18:30

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letter for those who have left us or were put away

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cinco minutos apenas.

cinco passos de distância entre a segurança de um chão e a queda para outro.

cinco planetas nos diferenciam a cor do pensamento, o da arte, o da velocidade, o da guerra, o do amor e o da paz.

cinco centímetros do chão. dependurado pelo pescoço. de pés esticados. arrependido. erecto. sem força.

cinco espaços. um preenchido. roleta russa até sair o prémio pelo cano do revólver. estrondo no ar vazio de esperança. inundado de vermelho e mesclado de cinza.

cinco dedos numa mão acenando. adeus ou socorro?

Escrito por j m

Abril 29, 2009 em 11:54

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mais um dia cinza

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e perdi todos os meus contactos de e-mail e bookmarks – favoritos é uma parva tradução.

:(

fuck!

Escrito por j m

Abril 16, 2009 em 12:34

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post secreto

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rogério casanova é rogério casanova. nome falso ou real. rogério casanova é rogério casanova. este post sercreto tem o puro intuito de aumentar as visitas a este blog. aqui rogério casanova será sempre tratado por rogério casanova enquanto rogério casanova. se se chamar almendro, eu chamar-lhe-ei almendro. rogério casanova é rogério casanova.

Escrito por j m

Março 13, 2009 em 09:24

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homenagem à luta, à ditadura, à corrupção e outras cão de vir

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enquanto uns se vão e outros consideram vir-se entusiasticamente na fronha arrepanhada do traseiro de uma ovelha, o tempo não se deixa arrefecer por motivos pouco óbvios à nação. nino foi-se. tardiamente.

Escrito por j m

Março 2, 2009 em 14:55

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as trevas

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deveriam ser quebradas por vozes que debitam letras em forma de palavras, criando as frases e antecipando os sentidos dos que ouvem a esperança no vibrar das cordas vocais.

Escrito por j m

Fevereiro 8, 2009 em 21:14

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sss sss sss scratch my balls

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não hão fins, enquanto estivermos vivos, a fazer e ver filmes. em discos ou cassetes. os melodramáticos sentimentos de perda são imperceptíveis aos racionais amorais. haja devolução da perda.

post escrito ao som de duas canções de New Max, do álbum Phalasolo – distribuído gratuitamente -, em que participam numa Pacman e noutra o Virgul… os meus gostos musicais não estão avariados, estão exploratórios, ok? na canção com a participação do Pacman, ele lê as definições de pessoa presentes no dicionário – importante face ao média utilizado.

Escrito por j m

Fevereiro 4, 2009 em 12:50

para uma nova fórmula de imagética rudimentar

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Io tengo sobre todo es cansancio, y ese desasosiego que es gemelo del cansancio cuando éste no tiene otra razón de ser sino el estar siendo. Tengo un recelo íntimo de los gestos a esbozar, una timidez intelectual de las palabras a decir. Todo me parece anticipadamente frustrado.

El insoportable tedio de todas estas caras, estúpidas de intelegencia o de falta de ella, grotescas hasta la náusea por felices o desgraciadas, horrorosas porque existen, marea separada de las cosas vivas que son ajenas a mí…

Fernando Pessoa, in Libro del desasosiego

era o que estava à mão.

Escrito por j m

Fevereiro 1, 2009 em 22:57

nunca te conheci

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pudesse eu agora emborcar um six pack e chorar outro six pack pelos olhos e vomitar ainda outro six pack, enquanto me encharco no mijo do six pack de há bocado, com uma mão no telefone e outra no mundo possível, empurrando-o para baixo, esmagando-o contra o solo.

Escrito por j m

Fevereiro 1, 2009 em 17:05

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