Archive for the ‘posto móvel’ Category
dos assuntos internos
pré-publicação de O Mundo Branco do Rapaz-Coelho de Possidónio Cachapa
Aqui: http://jornal.publico.clix.pt/noticia/08-11-2009/o-novo-romance-de-cachapa-18149168.htm.
O Mundo Branco do Rapaz-Coelho sai dia 20 de Novembro, com chancela Quetzal.
Um Dó Li Tá
Este é o caminho. Tem uma rotunda e três cruzamentos. Umas lombas e quatro curvas. Este é o caminho onde morrerás. Entretanto, terás sido pouco feliz e mais triste do que quiseste. Sorri.
Fernanda, de Ernesto Sampaio
Apesar de longe, nunca perto ou tão só arredio, mantenho a distância equidistante entre todos os pontos.
Teria sido do meu agrado, ver aqui exposto a última colecção de ofertas que pelo natal recebi. Não o fiz, e talvez não seja
necessário. De entre os objectos que agora guardo com estima, encontra-se a última obra de Ernesto Sampaio, Fernanda. O nome deste autor não me era desconhecido, com algumas publicações na Fenda, o seu nome já tinha passado por mim inúmeras vezes. Contudo nunca tinha lido nada. Comecei pelo fim.
Fernanda é Fernanda Alves, a actriz, companheira de Ernesto Sampaio. O livro é uma recolha de textos em prosa-poética e poesia. Foram escritos durante os primeiros meses do primeiro ano após a morte de Fernanda.
Os textos representam o amor único e todo que o autor sentia por Fernanda. Ernesto foi ficando exangue. E faleceu de amor perdido, cerca de ano depois da morte de Fernanda.
o melhor
É o que se deseja em tempos de eleições em Portugal. Isto nos intervalos do futebol e das novelas ficcionadas e políticas. Venham os cabelinhos à foda-se, homens com favas na boca, outros eleitos sexy ou tão só o Cristiano e sejam felizes.
Mas não me convidem.
A rotativa existência do fumo. Os pensamentos e o uso deles.
Ontem, foi um dia curiosamente atípico. Almocei sozinho no refeitório da empresa, onde habitualmente o faço acompanhado. Ouvi a soluços a conversa, em alto volume, de umas cinco raparigas sobre outras não-presentes, talvez também fossem cinco, mas só ouvi dois nomes distintos – só me lembro de um, na frase “o assusto que apanhei com a Cristina a falar para o monitor”. Nesta altura, pensei-me no meio daquele grupo e julguei-me capaz de conversar sobre nada com alguma agilidade – o meu cunho de parvoíce estaria presente. Sinto-me cada vez mais preparado para não falar de nada, conversando sobre isso mesmo, talvez qualquer coisa e um ou outro porque não.
existe uma forte probabilidade
entre um olho aberto e outro fechado
Respiro um dia para determinar outro. Estou tão contente como o verde feliz de uma folha de batateira doce. Sinto na fotossíntese a certa recuperação de energia do dia-a-dia. Enquanto durmo acordo. Acordado fecham-se-me os olhos com sono. À minha volta a surpresa da monotonia. A chegada do outono.
As gajas nuas e a mão inteligente do homem que possui uma cabeça de vidro*
Quantas vezes as gajas nuas me disseram um olá seco de inveja? Para isso nada contribuí nem pretendi que assim fosse. No balneário partilhámos o mesmo ar húmido ou o cheiro a suor, guardado pelo tempo nas paredes quase brancas, depois ou antes dos banhos. Conversavam sobre coisas. Essas coisas que as gajas conversam e só a elas, umas ou outras, cabe responder. Nunca gostei de balet, mas a visão dos corpos em directo valia o sacrifício. Melhor assim do que me pendurar de um escadote, na dispensa do corredor, e espreitar pelo buraco que o guarda utilizava para olhar os corpos adolescentes. Um dia caiu e ficou em coma, morreu. Rimo-nos e não nos importámos.
Hoje, as gajas nuas sentem vergonha dos seus corpos e dizem-se contentes com a luz do sol que as destrói lentamente. Têm morrido. Continuamos a rir sem que nos importemos.
* após Al Berto


