teoria da desilusão

Archive for the ‘livros’ Category

Na cama

with

A minha doença obriga-me à imobilidade absoluta na cama. Quando o tédio assume proporções excessivas que vão desequilibrar-me, se não intervierem, eis o que faço:

Esmago o meu crânio e estendo-o à minha frente, tão longe quanto possível, e quando está bem achatado, mando sair a minha cavalaria. Os cascos batem nítidos neste chão firme e amarelado. Os esquadrões lançam-se imediatamente a trote, e os cavalos saltitam e escoiceiam. E esse barulho, esse ritmo nítido e múltiplo, esse ardor que respira o combate e a Vitória, encantam a alma daquele que está pregado à cama, e não pode fazer o menor movimento.

[Henri Michaux, in As Minhas Propriedades]

Escrito por j m

Outubro 25, 2009 em 18:30

Publicado em livros

Tagged with

Enche-me, preenche-me de poesia…

without comments

Enche-me, preenche-me de poesia a memória do meu companheiro Olímpio. Não podendo eu, nem sabendo, viver sem poesia (vida e poesia são-me uma e a mesma coisa, possa embora prescindir de poemas), tê-la-ei sempre cá dentro, ele cá dentro, pedacinho do pão que me alimenta.
A meio da noite, o operário em construção interrompeu de vez o trabalho. O ser amoroso, esse, perpetua-se no infidável rio subterrâneo onde flui, indizível, a pulsão poética que vale a vida.
E se isto pressupõe literatura, é favor rasgar.

[Vitor Silva Tavares, de Um Pedacinho de Pão, in Olímpio]

Escrito por j m

Outubro 25, 2009 em 17:03

o verão que nos chega

without comments

o verão que nos chega

Está calor. São 07h38.

Ontem, pelo correio, chegou A Flor dos Terramotos. Veio de Braga, da Centésima Página – serviço atencioso e delicado.

Foi um dia de recuperação e novidade. A biblioteca ganha novos volumes e restabelece-se de outros que sabe ter, mas não sabe onde.

Ainda está calor. São 07h49.

Escrito por j m

Maio 27, 2009 em 07:50

Publicado em livros, posto móvel

Tagged with

para os tempos vindouros

without comments

para os tempos vindouros

Antes da pandemia recolho material.

Nunca escrevi rigorosamente nada que tivesse valor.

A pandemia será para ler, se vivo.

A minha herança serão os poucos livros recolhidos, se morto.

Escrito por j m

Maio 26, 2009 em 22:37

Livre Arbítrio

without comments

Notei, hão alguns dias, mais uma discussão pública entre o grupo do Freitas (Averno) e o das Quasi (Reis-Sá & Melícias).

Partindo da publicidade errónea de que Tiago Araújo publicou agora o seu primeiro livro (Livre Arbítrio, Averno), surge a correcção de Reis-Sá, informando de que se trata afinal do seu terceiro livro, os dois anteriores surgiram nas Quasi.

Melícias insurge-se, no blog de Mário Silva, contra a crítica de Guerreiro na Actual, que insiste na publicidade do facto errado. Mas Melícias não se fica por aí, retomando(?) a polémica iniciada hão 4 ou 5 anos, entre os dois grupos de amigos mais visíveis, no meio da nova poesia portuguesa. Melícias está ofendido, não só pelo facto da insistência em publicitar um erro que a história desmente, como pela Actual estar, assim julga, predominantemente afecta ao grupo de Freitas e, por isso, tantas vezes parcial na escolha dos livros que mostra como no conteúdo da artigalhada.

Penso que estas rixas são coisa boa, tentam demonstrar uma vitalidade do debate de ideias, que, temo, não existe de verdade. O que parece existir é apenas um reflectir sobre os eventos de forma a prejudicar a imagem em outro, mas sem análise de conteúdo estético da literatura divulgada pelas partes.

Qual a razão que leva a Averno a publicar um autor sem impacto no meio, que antes era das Quasi? O que marca agora a escrita desse autor? Ou é apenas uma situação fruto das circunstâncias e do tempo? Estará a Averno a mudar?

E o autor, que tem a dizer? Será que renunciou os livros publicados nas Quasi?

Nomes próprios: Manuel, Jorge, António, José.

Nota final: mais se poderia escrever.

feira do livro – um recriar

without comments

depois do abalo inicial das variadas novidades da feira do livro de lisboa, a que aqui fiz referência com passagens para o vortex, cabe agora fzaer um breve apanhado.

1. a primavera mostrou-se: fez sol, mas também choveu com eficaz afastamento da população – como vê sr. Rui Beja ainda não dá para comprar um garante meteorológico ao IM

2. os horários foram melhorados, mantendo-se a abertura às 12h30 e colocando o fecho às 21h30 – como vê sr. Rui Beja nem sempre os hábitos de um universo sondado representam o universo interessado; veja lá a quem pede sondagens.

3. choveu! e logo surgiram notícias de pavilhões a meterem água… – como vê sr. Rui Beja, mais uma vez se preocupou pouco com aqueles que são, supostamente, associados seus ou simples pagantes do espaço de feira. (já pediu para reforçarem os cabos de aço que seguram as prateleiras laterais? afinal, o que são 10kg em livros?)

pretendo voltar à feira. mas não sei se irei. o orçamento foi fechado e o tempo é escasso.

Escrito por j m

Maio 12, 2009 em 15:45

Publicado em livros

Tagged with

INTERMEZZI, OP 25

with

Escrito por j m

Maio 11, 2009 em 16:42

Publicado em livros

Tagged with ,

segunda visita à feira do livro de lisboa

without comments

segunda visita à feira do livro de lisboa

a.s. – vou no comboio. não sei se chegarei ao destino. estou a espirrar e de cada que tal acontece, olham para mim com ar de A ou não A?

ontem, fiz uma jornada de feira do livro. pensando que iria apenas à abertura e até ao início da tarde, acabei por ficar até ao novo e irritante fecho.

compras? livros novos: dois. livros dos alfarrabistas: quatro. seriam mais, muitos mais.

no dia anterior, foram quatro livros – dois em saldo.

ontem, houve algumas conversas na Cavalo, no Arquimedes, na Letra Livre – que tem &etc, Averno, Trama, 90o e Letra Livre -, na Prodidático – que tem a Bruaaa, a Tangerina, as Eterogémeas e a Deriva -, pontos para pequenos encontros de debate sobre o vício.

informações úteis: Vendaval, Objecto Cardíaco e Nelson de Matos na tenda dos Pequenos Editores. Cosmorama na Contra Margem. Fenda e Actual na Almedina.

vou fazer um intervalo, penso voltar à feira.

Escrito por j m

Maio 6, 2009 em 18:52

Publicado em livros, posto móvel

Tagged with

coisa que a feira não trouxe

with

coisa que a feira não trouxe

Raio de Luar de Luiz Pacheco, na Oficina do Livro

Escrito por j m

Maio 6, 2009 em 18:52

Publicado em livros, posto móvel

Tagged with ,

primeira visita à feira do livro de lisboa

without comments

primeira visita à feira em livro de lisboa

Aconteceu, ontem, a minha primeira visita à feira. Como descrito no Vortex, a visita e o estar não foram nada confortáveis, para o serem não se vê a feira. Saí do Oriente às 17h, cheguei pouco depois das 18h. Sentei para um pouco de conversa, cerveja e matar saudades de com quem me encontrei.

Subimos devagar, à conversa sobre livros com quem está a trabalhar na feira.

O sr. Rui Beja está a receber, desde sábado, o seu tempo quente. No entanto, esqueceu a caixa ATM. Compras por pagar ou sem efeito nos pavilhões sem pagamento automático ou com problemas com ele.

Resolvo propôr um café. Conversar cinco minutos, enquanto se bebe o café e fumo. Anunciam o encerramento da feira. Ainda faltava um quarto da feira. E como era a primeira volta, nem parei em todos. O horário de encerramento é mau.

Fiquei com uma sensação de desconforto que nunca tinha sentido na feira.

Tudo a pensar nas minhas necessidades, como anunciou vezes sem conta a locutora da feira.

Escrito por j m

Maio 5, 2009 em 10:12

Publicado em livros, posto móvel

Tagged with