outra coisa
Apresentar-te aos deuses e deixar-te
entre a sombra de pedra e golpe de asa.
Exaltar-te perder-te desconfiar-te
seguir-te de helicóptero até casadizer-te que te amo amo amo
que por ti passo raias e fronteiras
que não me chamo Mário que me chamo
uma coisa que tens nas algibeiraslançar a bomba onde vens no retrato
de dez anos de anjinho nacional
e nove de colégio terceiro actopôr-te na posição sexual
tirar-te todo o bem e todo o mal
esquecer-me de ti como do gato
[Mário Cesariny, in Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica]