o Douro à tarde

Janeiro 19, 2012 1 comentário

Morreram duas pessoas que não conheci. Morreram mais, mas destas conheço quem as tenha conhecido. Morreram no mesmo rio. Provavelmente, nunca se conheceram.

Morreram. Partilharam a mesma água nos mesmos dias. Se calhar com outros. No mesmo silêncio. Sós.

Categories: posto móvel

s/t

Janeiro 13, 2012 Publicar um comentário

Um gajo para morrer
Basta-lhe um sopro

Para viver é que é
Sempre
Todos os dias
Cada vez mais
Difícil

Categories: versos

sem tempo

Dezembro 23, 2011 1 comentário

há coisas que não têm tempo. esta canção chegou numa altura em que a minha melancolia está nos píncaros. não é o natal. é o não-natal. estou particularmente triste. geralmente cansado de estar triste.

saudades.

Destroços

Dezembro 17, 2011 Publicar um comentário

Vemos um monte de destroços, múltiplas casas completamente desfeitas. Vestígios de roupa e um ou outro objecto milagrosamente intacto. Mas, acima de tudo, o pó já acalmou.

Um homem faz a saudação nazi à frente das ruínas.

[Gonçalo M. Tavares, in Short Movies, Caminho, 2011]
Categories: livros Etiquetas:

more money and prosperity bring happiness and no poetry*

Novembro 19, 2011 Publicar um comentário

escrevi o meu primeiro poema depois dos 25 anos. antes disso cheguei a escrever cartas de amor. hoje, depois dos 35, percebo que nunca escrevi nem uma coisa nem outra. e o que eu quero escrever, agora, é algo que represente o fim das cabeleiras e dos postiços e das próteses inúteis. escrever inutilidades.

quando te conheci. quando depois fui viver. quando continuei a viver. quando continuo a viver. não te conheço.

o processo de ignorância. a que sou submetido pela competência dos meus pares compatriotas, amigos, ex-amigos e outros que poderiam ter sido outra coisa que não a sua ausência do meu discurso. representa o caminho para a minha felicidade. que tantos insistem em dizer-me que existe e eu sinto como via sacrificial.

embriagado no teu perfume. os dedos presos numa cartilagem direita. os olhos semi-cerrados no sonho.

os meus pais ensinaram-me a cortar os ladrões. mas não o fiz. a minha árvore não dá frutos. alimenta um conjunto alargado de ramos e folhagem.

sem início. o beijo. sem fim.

aprendi a beber vinho.

*o dicionário está vazio

Categories: teoria Etiquetas:
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