[ontem]
Hoje, morri um pouco. Como
tu.
Como ele. Como ela. Não
como nenhum dos outros.
Somos seres diferentes. Como
as clementinas são
diferentes das laranjas e todas
das tangerinas.
Morri um pouco. Segunda
com pessoas ao sol e eu na
penumbra.
[ontem]
Hoje, morri um pouco. Como
tu.
Como ele. Como ela. Não
como nenhum dos outros.
Somos seres diferentes. Como
as clementinas são
diferentes das laranjas e todas
das tangerinas.
Morri um pouco. Segunda
com pessoas ao sol e eu na
penumbra.
eis a carne
Hoje, maravilhoso dia púrpura, venço,
na incerteza, o receio do prolongar
da dor.
No silêncio da técnica sei não existirem
mais estradas ladeadas de sonhos.
As árvores são apenas árvores
e no horizonte do asfalto jaz o que foi
o futuro.
o cheiro do curral
entre o colapso da política, que se anunciou durante anos, mas então não passava de uma crise, e o inicio de um período de medo e lutas pela esconjuro destes, a sobrevivência de muitos cidadãos está em causa.
os medos são de diferente índole, variam entre a possibilidade da falta de pão para a boca e a implementação de políticas castradoras da liberdade de verbalização dos pensamentos. a partir daqui surgem os silêncios de muitos e a sua conivência com uma interrupção da cidadania, desde que garantidos pão.
preocupam-me também, mas muito mais, os que anseiam pela ordem da restrição das liberdades conquistadas pelos movimentos democráticos ou pró-democracia.
[de pensamentos incompletos e hilariantes]
Announcement – Anúncio
Este ano não haverá, neste moribundo blog, comemorações do Dia Mundial da Poesia.
Sendo, nos últimos anos, o único momento de interesse aqui gerado poderá ser estranho, mas assim será.
Espera, o aqui presente escrevinhador, recuperar a coisa para o ano.
Pretende também, o mesmo idiota, ser mais assíduo noutros temas.
Espera-se para o verão o encetar de um novo projecto que utilize os objectos representados na foto.
A poesia é uma luta.

Indeed
Redução de cerca de 150€ em gastos no mês.
Conclusão: não chega.
Antropologia é foda
Antropologia é foda – utilizando o calão do português brasileiro.
Fosse calceteiro saberia com certeza que colocaria pedras, deslocaria pedras e tinha a possibilidade de as atirar. Atirar ao patrão, atirar na rua, atirar em casa. Objectivamente real. Palpável. Calçada. Dura. Sanguinária.
Agora a antropologia… Que foda – calão na mesma versão da língua. Uma delícia.
Que foda – em português europeu. Uma seca. Uma dor. Uma ausência de sentido. Cretinisse. A invisibilidade aparente da desconstrução da informação recolhida, tratada, analisada. O tratamento dos problemas de uma forma que é uma foda – em português europeu, só lixa o bacano.
Antropologia escreve poemas. Conta histórias. Trata da política e analisa a sociedade. Olha perto o que os outros (não) vêem ao longe. E para que serve isto tudo se não contribuir para os mais tristes dos mundos?
Ao menos os psicólogos podem aconselhar o uso de químicos e fazem deambulações sobre ritmos de felicidade condicionada ao fracasso. Os sociólogos fazem das pessoas números em SPSS e tratam do desenraizamento de muitos.
Ter antropologia perto é fodido. Só depende da versão da língua que se queira usar.
reacções à desilusão