antes dos cafés
A fuga para o cadafalso é uma clara evidência da normalidade em que um dos homens* entrou. Por amor, dor ou masoquismo, a norma social é um carril tomado mesmo por muitos dos que se querem diferentes**. Abandona-se pouco para ter um enorme nada.
* das histórias dos homens amarelo, castanho e azul
** expressão roubada a amiga, expressando a sua visão do mundo e sobre a ilusão de pessoas que se abandonaram o rio da diferença, negando uma existência única e capaz.
derrota
na luta por um trabalho. no caos dos gritos. eliminei a história de ontem.
escrevi sobre o eventual atributo de beleza, que possa existir por aí. e como ultrapassava o desapontamento de não o achar após os 3 ou 4 cafés matinais.
entenda-se que, hoje, tal como ontem, a população que partilhou comigo a viagem para a cidade, não conteve elementos visualmente desafiantes.
pouco importa agora
Parece tarde neste verão ainda novo. Os olhos fecham-se, mas apenas isso. Sinto as pessoas tão felizes como um porco na matança tradicional – ainda assim, sorriem. Já não noto o verão como a delicadeza dos corpos descobertos. É-me irrelevante o feio, porque não vejo beleza em nenhum sítio. Parece um verão que nunca vi.
A ignorância
Considero completamente idiota que alguém acusado de ignorância, num contexto de discussão em que ambas as partes são tidas como iguais, se sinta ofendido. A ignorância é algo inerente ao desconhecimento de determinado facto.
O politicamente correcto destrói a língua portuguesa e a comunicação oral.
já ouvisto? updated
o primeiro já ouvisto? não mencionava o nome da segunda banda, mas hoje já o sei: Os Golpes, que numa tradução imediata e de quem percebe onde queremos chegar, temos os The Strokes portugueses (apenas em nome/designação claro)… esqueceram-se foi de… realmente terem algo de interessante para mostrar.
al berto, um dia depois
um dia depois do aniversário da morte de Al Berto, fica um poema e o link para todos os posts com menção ao poeta neste blog: aqui.
nomeio constelações uso-as
para me guiarem no receio das noites
escavo corpos na flexibilidade das sombras
atravesso a manhã e ponho a descoberto
a casa onde a infância secouo olhar desce aos gestos inacabados
satura-os de jovens lágrimas de resinas
e o susto de criança que fui reaviva
um pouco a alegria no coração
[Al Berto, in Sem título e bastante breve e Outros poemas]


